Category: Neo Partus


Serj Tankian ficou conhecido pelo mundo quando o System Of A Down explodiu lá pelos idos de 2004 com “Toxicity”. Alguns anos depois, porém, a banda entrou em um recesso (até esse ano de 2011) e Tankian emplacou uma carreira solo com o ótimo álbum “Elect The Dead”, voltando os holofotes para o músico, levando-o a turnês pelo mundo e singles nos charts principalmente na mídia americana.

 

Comprovando a consciência ecológica, social e política que o cantor armênio-americano tem, “Imperfect Harmonies” traz em sua essência muito do que foi feito na sua antiga banda, mas focado mais nas orquestrações, fazendo do seu segundo álbum um trabalho único.  Lançado via Reprise Records e Serjical Strike Records (do próprio músico, óbvio), o álbum chegou a ter um atraso de duas semanas por um imprevisto com o papel que o trabalho deveria ser impresso.

E o clima orquestral de “Disowned Inc” (os mais atentos perceberão a clara passagem que lembra em muito o S&M do Metallica), conduzido no piano e alguns efeitos eletrônicos onde o principal destaque, obviamente, é a versatilidade de Tankian, que mais parece estar cantando uma história. O sentimento quase Post Rock de “Borders Are” se reflete no ambiente criado pelos wahs e a música bem repetitiva (mas não enjoativa), como em “Deserving”, onde o resultado não é tão satisfatório devido aos versos muito longos, que aliados a uma música bem lenta não apresenta muitos atrativos. “Beatus”, por outro lado, é quase um musical que se passa no meio do deserto, com um ótimo crescendo, enquanto “Reconstructive Demonstration” pode pesar para os menos acostumados (afinal de contas, as guitarras até agora foram mínimas e o álbum parece caminhar a passos módicos). E o desespero pode aumentar ainda mais para os radicais com “Electron” e o seu neo clássico eletrônico e na belíssima balada “Gate 21”, com seu flertes com ópera.

E as músicas apenas com piano e instrumentos realmente ditam o direcionamento do disco, mais claro ainda com a incompreensível “Yes, It’s A Genocide”, que chega a dar arrepios em alguns momentos, tão densa ela é, uma espécie de introdução para a mezzo-balada “Peace Be Revenged”, onde novamente a interpretação e o poder vocal de Serj Tankian roubam a cena. “Left Of Center”, em seguida é uma música cadenciada no estilo Prog Metal que muitas bandas fazem/fizeram/um dia vão fazer, com um dos melhores refrões do álbum, levando ao encerramento com a (adivinha) balada “Wings Of Summer” que pode incomodar algumas pessoas por algumas passagens que remetem à música brasileira lá da década de 50 e 60, um tanto quanto enjoadas.

Comparando com “Elect The Dead”, o novo álbum do vocalista do System Of A Down soa até um tanto quanto desencontrado, buscando um caminho novo, totalmente longe da sua outra banda, algo explicável, afinal de contas, o SOAD voltará a ativa agora em 2011. Os fãs do vocalista, porém, que esperam algo parecido com qualquer outra coisa que ele já lançou anteriormente podem se desapontar um pouco: não há berros, quase não há guitarras, as músicas são lentas (sonolentas em algumas partes) e extremamente repetitivas em outras. Nesse caso, não é nem questão de ter a mente aberta para ouvir esse tipo de som ou não, tem é que estar preparado para ouvir uma viagem completamente sem sentido de Serj Tankian.

01. Disowned Inc.
02. Borders Are…
03. Deserving?
04. Beatus
05. Reconstructive Demonstrations
06. Electron
07. Gate 21
08. Yes, It’s Genocide
09. Peace Be Revenged
10. Left of Center
11. Wings of Summer

Nota: 7

O Andragonia foi formado em 2007 por experientes músicos e produtores, chegando a lançar um single no ano seguinte, o que chamou a atenção de muitas pessoas no meio Heavy Metal, fazendo com que já em 2009 um cuidadoso trabalho de produção desse início às gravações do que seria “Secrets In The Mirror”, o debut que colocou a banda no panteão do Progressivo brasileiro e um dos grandes lançamentos de 2010.

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Neo Partus: Mindflow – “365”

O Mindflow é uma daquelas bandas que consegue criar uma identidade própria desde o início da carreira, e com o passar dos anos, vai gradativamente remodelando e se renovando, em busca de uma sonoridade mais orgânica, até chegar no ideal. Desde o Prog mais clássico da sua sua estréia com “Just The Two Of Us”, passando pelo megalomaníaco “Mind Over Body” (em todos os sentidos) até o pesadíssimo e conspiratório “Destructive Device”, a banda soube explorar vários direcionamentos, temas e uma experiência que vai muito além da música e ultrapassa algumas barreiras que muita gente insiste em esbarrar.

Pois bem, na metade de 2009, eles anunciaram um ousado projeto chamado “365”, onde através de um blog oficial criado especialmente para isso, a banda lançaria uma música por mês, além da letra, wallpapers e vários conteúdos extras. Algo inesperado, já que, segundo eles próprios, a música de cada mês era feita e composta entre um lançamento e outro.

A música de setembro “Thrust Into This Game” abre o álbum, e já é uma velha conhecida para aqueles que têm o single “September To November” ou acompanham o canal no Youtube dos caras, já que um vídeo oficial cheio de efeitos foi feito para a música, e o visual traz exatamente a sensação meio que de “desespero” que ela tem. Em seguida, “The Ride”, mais cadenciada, quase uma mezzo-balada com ótimos vocais de Danilo Herbert (cuja versão acústica é do tipo highlight em um show da banda) e “Instinct” com uma pegada a lá New Metal para dar aquele peso a mais. “Corrupted”, a quarta faixa tem uma levada meio eletrônica, lembrando os momentos mais relax (ou seriam menos caóticos?) do Fear Factory e afins e uma rifferama de doer o pescoço com vários efeitos de midi, enquanto “Walking Tall” é uma música bem com a cara do Mindflow, algo que passeia tranquilamente entre o “Just The Two of Us” e o “Destructive Device” (é muito bom ver a identidade que eles já tem). Depois, “Crisis FX” é uma música um tanto quanto confusa e claustrofóbica, o que encaixa muito bem com a sua letra e mostra o que é o entrosamento de uma banda que praticamente não sofreu alterações em toda a sua carreira: a possibilidade de arriscar em temas mais complexos e heterogêneos.

A sétima música, “Break Me Out” é uma praga (no bom sentido) no estilo de “Breakthrough”, do álbum anterior: ela vai, por mais que você tente, permanecer na sua memória por dias, semanas, meses… e quando você menos esperar, estará cantarolando na rua “I never forgeeeet… I saw it in yooour eeeeyes”. Então ouçam com atenção! Em seguida, mais uma balada, “To Say Goodbye”, que lembra bastante o Pain Of Salvation da época do “Remedy Lane”/”Perfect Element I” e a pedrada quase Thrash (mas com bons toques de modernidade, algo que parece ter dominado esse álbum) “Rules Of Engagement”, com seu refrão a ser cantado com fists-in-the-air. “Shuffle Up And Deal” é mais uma grata surpresa, novamente embalada por riffs pesadíssimos e um que aqui e ali de Hard Rock (quase imperceptíveis), assim como a bem New Metal (dos bons!) de “Reset The Future”, um dos grandes destaques, tanto na parte instrumental quanto lírica. “With Bare Hands” (nome do álbum-coletânea a ser lançado nos EUA agora em 2011) tem boas doses de Heavy Metal tradicional (vejam o riff!), com os vocais inclusive flertando com o estilo: simples, honrado e com certeza a ser berrado a plenos pulmões ao vivo (até uma parte meio… rappeada no meio?).

O Mindflow é uma daquelas bandas em atividade no Brasil que não precisam provar absolutamente mais nada para ninguém. É uma pena que nem sempre artistas assim estejam evidência. Eu vejo muitas pessoas por aí falando que o Metal e o Rock não dão dinheiro no Brasil. O que nos leva a questão: o que você tem feito para mudar isso?

Àqueles que não tem a mente fechada e preconceituosa, “365” é um álbum indicadíssimo, com uma qualidade de deixar muita…. mas MUITA banda por aí na sola do pé.

01. Thrust Into This Game (09/09/2009)
02. The Ride (14/10/2009)
03. Instinct (18/11/2009)
04. Corrupted (16/12/2009)
05. Walking Tall (28/01/2010)
06. Crisis FX (24/02/2010)
07. Break Me Out (31/03/2010)
08. To Say Goodbye (28/04/2010)
09. Rules of Engagement (26/05/2010)
10. Shuffle Up and Deal (30/06/2010)
11. Reset the Future (28/07/2010)
12. With Bare Hands (25/08/2010)

Line-up:

Danilo Herbert: Vocal
Rodrigo Hidalgo: Guitarra
Ricardo Winandy: Baixo
Rafael Pensado: Bateria

Nota 9

Terminus / Neo Partus: Top (20)10

Bom… é estranho perceber que JÁ estamos acabando 2010. Parece que foi ontem que eu estava fazendo o meu top 10 de 2009 (merecidamente liderado pelo Lynyrd Skynyrd!) e estava lá incessantemente ouvindo o álbum “Atittude”, do Susperia e o “Avatar”, do Avatar, que não saem das minhas playlists até hoje, aliás. Em resumo, posso dizer que, mesmo 2010 tendo ficado um pouco atrás do ano passado, foi um ano cheio de bons frutos.

Com relação aos shows, a nossa terrinha tupiniquim foi visitada por Metallica e AC/DC, depois de muito tempo, assim como a realização do SWU queimou a língua de muita gente (inclusive a minha), trazendo bandas do calibre de Rage Against The Machine, Linkin Park e tal.

Por outro lado, foi um ano de incontáveis perdas, como do vocalista Peter Steele (do Type O Negative), cuja morte desta vez era real, ao contrário dos boatos de anos passados. Perdemos também o baixista do Slipknot Paul Grey, um dos nove mascarados e um dos caras mais técnicos e presenciais do grupo. Apesar da implicância que muitos fan-boys metidos a true têm com os caras de Iowa, não se pode desrespeitar o trabalho deles. No lado mais Hard Rock, o grande vocalista Steve Lee, da banda suíça Gotthard sofreu um acidente de moto no deserto dos EUA, e infelizmente também passou desta para melhor, deixando no ar dúvidas sobre o destino de sua banda. E, como não poderia deixar de faltar, talvez a perda mais considerável deste século, Ronnie James Dio, o baixinho feioso que com certeza marcou a história da música com as suas passagens pelo Rainbow e Black Sabbath, além da ótima carreira-solo.

Ainda na parte triste da coisa, vemos pré-adolescentes descerebradas idolatrando troços como Restart, Cine, Justin Bieber e coisas do tipo. Isso realmente é de amargurar qualquer um. Quando você acha que os emos eram praga, os imbecis vêm com tudo pra cima de você.

Bom, o que mais de relevante em 2010… o Metalcore provou por A + B que está cada vez mais estagnado, com bandas umas iguais às outras surgindo em cada esquina. O Thrash Metal old-school parece estar passando por um momento de remodelagem, com moleques de 17 anos formando suas bandas para tocar um som sujo e pesado como de 30 anos atrás. Bandas como Forbidden, Immortal e outras parecem ter voltado do limbo e lançaram grandes trabalhos. O seu querido Judas Priest encerrou a carreira de turnês, assim como o Scorpions… Bom, não sei o que mais, qualquer novidade, postem nos comentários.

Vamos ao que interessa então:

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Uma das poucas bandas de destaque remanescentes nos EUA que insistem no Power Metal, o Kamelot vai muito além disso ao ter se tornado um dos alicerces do estilo, com um som que se difere em muito do básico, agregando diversos elementos, que os colocam como um novo pilar de direcionamento que toda uma vertente pode tomar. Após uma sucessão de aclamados trabalhos, principalmente “Karma”, “Epica” o intocável “The Black Halo” e o soturno “Ghost Opera”, a trupe de Roy Khan, Thomas Youngblood e Cia garantiu o seu lugar no panteão do Heavy Metal.

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Neo Partus: Spock’s Beard – “X”

Uma das bandas mais cult do cenário progressivo surgido no começo dos anos 90, o Spock’s Beard (nome bizarro, ao mesmo tempo inesperado) é mais conhecido pelo fato de já ter tido em sua formação os lendários irmãos Neal e Alan Morse, sendo que hoje apenas o segundo permanece na banda. Neal deixou a banda em 2002 para se dedicar exclusivamente a sua carreira-solo, abrindo espaço para que o então baterista Nick D’Virgilio assumisse os vocais e partes das guitarras (opa, quem mesmo já fez isso?).

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Neo Partus: Yoso – “Elements”

 

Considerado um supergrupo de Rock Progressivo e Classic Rock, o Yoso surgiu da idéia de Billy Sherwood, Tony Kaye (ex-membros do Yes) e Bobby Kimball (ex-Toto), em 2009, inicialmente apenas como um projeto dissidente do Circa para tocar clássicos de suas ex-bandas ao vivo. Porém, o entrosamento entre eles foi tão natural que em um ano de turnê pelos EUA e México já tinham material suficiente para gravar um álbum com músicas inéditas.

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Aconteceu nesta terça-feira a tão esperada coletiva de imprensa em Sorocaba, interior de São Paulo com Billy Sherwood, ex-guitarrista do Yes, produtor e músico de tantos outros projetos, como a banda CONSPIRANCY e YOSO e a BANDA DO SOL, que também está divulgando seu novo mais novo trabalho, o  CD Tempo.

Esbanjando simpatia, Billy Sherwood e Moacir Jr, vocalista da Banda do Sol,  atenderam a todos que estavam na sala de imprensa com um papo descontraído e muito informativo. Completavam o time da mesa o maestro da Fundec Eduardo Ostergren e o baterista da Banda do Sol, Fábio Fernandes.

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Neo Partus: Angra – “Aqua”

O conturbado período que os brasileiros do Angra passaram antes, durante e após o lançamento de seu último álbum de estúdio “Aurora Consurgens”, que culminou na saída do baterista Aquiles Priester, discussões internas, reformulações empresariais e quase o encerramento da banda, talvez tenham sido fatores importantíssimo para o novo renascimento, cerca de 9 anos depois de sua primeira reformulação.

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Uma daquelas típicas bandas que somente o underground europeu pode nos oferecer, o Mekong Delta é uma banda na ativa desde 1985, completando aí já 25 anos na dura batalha que é viver de música. Com nove álbuns no currículo, além de já ter contado no seu line-up com alguns dos mais famosos músicos do cenário alemão (Peavy Wagner, do Rage, por exemplo, escreveu as letras dos dois primeiros álbuns… aliás, estou devendo o review do último deles ainda), o Mekong Delta nunca atingiu um sucesso alto em comparação às outras bandas da época, como Destruction, Sodom, Grave Digger, Running Wild e até o próprio Rage.

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