Na última parte de Commentum, trocentos anos atrás, paramos no meio do conceito do álbum “The Wall”, do Pink Floyd, quando o personagem Pink construiu um muro de isolamento metafórico ao seu redor, preferindo se esconder dentro de sua própria mente invés de enfrentar a vida como ela é diante de seus olhos (e assim termina o lado B do disco 1… hora de botar o segundo na agulha)

01. Hey You

Depois de algum tempo, Pink percebe quão grande foi o seu erro de se isolar do resto da humanidade. O crescente desespero que vai tomando conta do personagem reflete na letra e na música ao passo que ele tenta quebrar o muro em que está preso, mas ninguém parece ouvi-lo do lado de fora da sua mente praticamente fechada.

02. Is There Anybody Out There?

Nessa parte, Pink gradativamente vai tentando se desvencilhar do muro que ele próprio construiu, mas aparentemente, ninguém responde ao seu chamado, fazendo o perguntar o tempo inteiro se alguém pode ouvi-lo.

03. Nobody Home

Uma viagem pela insanidade que a mente de Pink se tornou, o personagem basicamente fica se lamentando, em um profundo estado depressivo. De acordo com Waters, essa música é uma referência ao estado que muitos músicos vivenciam enquanto estão em turnê, além de mencionar, inclusive, como estava Syd Barret alguns anos antes.

04.Vera

Referência à cantora Vera Lynn, que fez bastante sucesso na época da 2ª Guerra Mundial. A analogia feita pelo personagem se relaciona ao fato de ter perdido o pai na guerra e, assim como a própria cantora, se perderam com o tempo, representando a perda das lembranças, da esperança.

05. Bring The Boys Back Home

Mais reflexiva, a música trata de não concordar com o fato de uma pessoa abandonar a família e os filhos para lutar na guerra.

06. Comfortably Numb

Na sua luta para suportar o mundo, Pink procura ajuda de um médico (um reflexo de uma situação médica em que Roger Waters esteve durante a In The Flesh Tour). As letras divididas entre Gilmour e Waters refletem a conversa entre os dois.

07. The Show Must Go On

Um personagem inseguro, completamente perdido dita a voz nessa parte da história, recorrendo inclusive a questionar antigas memórias, como o pai e a mãe, em completo desespero. No fim, porém, ele aparentemente reúne coragem para enfrentar o desafio, possivelmente com o auxílio de drogas.

08. In The Flesh

Nessa parte, Pink começa a sofrer uma fortíssima alucinação por causa das drogas e acha que o público do seu show é como um bando de seguidores, aos quais ele incita vários pensamentos messiânicos e ditatoriais a eles.

09. Run Like Hell

A incitação continua e Pink consegue transformar o público do show em uma horda baderneira, incitando atos de violência ali perto, uma localidade com várias minorias.

10. Waiting For The Worms

Pink perdeu toda a sua esperança sobre o mundo e resolve deixar o seu lado mais obscuro (os vermes) tomar controle e espalhar o seu ódio sobre todo o resto. Incitações xenofóbicas e ditatoriais ditas através de um megafone sobre segregações e tal.

11. Stop

A alucinação induzida por drogas vai passando e Pink vai se cansando tanto dessa fase fascista quanto da idéia do “muro” que ele construiu. O personagem começa a pensar e considera a hipótese que tudo o que aconteceu em sua vida que o fez criar o “muro” pode ter sido seu próprio erro.

12. The Trial

Pink consegue atingir um equilíbrio mental pela primeira vez em muito tempo. Todos os fatores que influenciaram a sua vida (pessoas e situações) que podem ter sido responsáveis pelos seus problemas. O seu subconsciente apresenta um novo personagem: o Juiz, seu auto-julgamento, que joga na cara de Pink que o problema não estava com as pessoas, mas sim com ele, e como ele acabava sendo o problema da situação. O som de um muro sendo quebrado representa a libertação de Pink do muro psicológico que ele havia construído.

13. Outside The Wall

Após o fim do muro, não fica claro o que realmente acontece com Pink: ele voltou para a sociedade? Aceitou completamente seus erros? A música se resume a uma introspecção sobre o fato que todo mundo tem suas próprias barreiras e limitações sociais, mas cabe a cada um se desenvolver contra isso para que não construa um muro (metafórico, pelo amor de deus) e afaste todos aqueles que se importam com a pessoa. Bonito, ahn?

Para variar um pouco, a história não tem um fim, e para ajudar, o próprio Roger Waters se recusa definitivamente a dar maiores explicações. A história é realmente interessante, e ver o filme-musical do álbum, que apesar de ter sutis mudanças nos plots, pode ser um bom complemente (e no mínimo obrigatório!) para os aficionados não apenas pela cultura Progressiva, mas musical em geral.

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