O Andragonia foi formado em 2007 por experientes músicos e produtores, chegando a lançar um single no ano seguinte, o que chamou a atenção de muitas pessoas no meio Heavy Metal, fazendo com que já em 2009 um cuidadoso trabalho de produção desse início às gravações do que seria “Secrets In The Mirror”, o debut que colocou a banda no panteão do Progressivo brasileiro e um dos grandes lançamentos de 2010.

Produzido pelo baterista Daniel De Sá e o guitarrista Thiago Larenttes no estúdio GR-SP, de propriedade da própria banda, a experiência em trabalhos anteriores fez com que um longo processo fosse necessário para atingir o melhor nível tanto musical quanto liricamente falando. Com participação do guitarrista Luke Gomes, BJ (do Tempestt), além da arte desenvolvida por Rog Oldim, da Epicos Design Artwork, não faltam motivos para o álbum poder ser colocado lado a lado com outras bandas do mesmo estilo.

Uma batida claustrofóbica, um rádio fora de sintonia e uma narrativa deveras nervosa dão início ao trabalho com “Life Inside”, uma música mais cadenciada que prima pela melodia e uma heterogeneidade bem encaixada, enquanto a já conhecida “Undead” tem um clima mais quebradeira e pesado, com boas doses de Dream Theater da fase do “Awake”. E a rifferama (ótimo trabalho de guitarras!) continua em “Draining My Heart” em um leve flerte com o Heavy mais tradicional, que chega ao seu ápice em “Shadowmaker”, que apesar da cadencia, se aproxima mais do Power Metal oitentista alemão. Em seguida, “The Choice (That’s How I Made)” lembra uma mistura bem encaixada entre bandas americanas radiofônicas com o Prog Metal europeu, onde o vocalista Ricardo DeStefano demonstra uma grande versatilidade vocal.

A sexta música “In Company of Silence” tem boas partes influenciadas por música brasileira e um clima bem soturno, e que com certeza é um dos pontos altos nas apresentações da banda, tamanho o feeling ali, a exemplo da faixa título, mais rápida e pesada, chegando a lembrar o Symphony X dos primeiros trabalhos. Batidas de coração e telefones introduzem a quase Thrashy “Silent Screams” com seu ritmo extremamente quebrado, cuja melodia até soa estranha a primeiro instante, mas é um bom preparo para a pedrada “Pull The Trigger” e a épica “Prison Without Walls (Silent Desire)”, que fecha o álbum com um clima meio Pain of Salvation, da época “Perfect Element I”, onde os principais destaques são os solos carregadíssimos de feeling das guitarras e a ótima presença do baixo.

Ouvindo um debut tão bem trabalhado como este, não é difícil perceber a capacidade dos músicos tanto na execução quanto na composição das músicas. Resta saber se o público brasileiro continuará surdo às bandas brasileiras ou uma hora vai se tocar e começar a apoiar o cenário nacional.

01. Life Inside
02. Undead
03. Draining My Heart
04. Shadowmaker
05. The Choice
06. In Company Of Silence
07. Secrets In The mirror
08. Silent Screams
09. Pull The Trigger
10. Prison Without Walls

Line-up

Ricardo DeStefano: Vocal
Thiago Larenttes: Guitarra
Cauê Leitão: Guitarra
Yuri Boyadjlan: Baixo
Daniel De Sá: Bateria

Nota 8

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