O projeto paralelo de Michael Amott (guitarrista do Arch Enemy e ex-Carcass) que se iniciou em 1993 e vêm lançando álbuns regularmente ao longo destes quase 20 anos, foca principalmente em um Hard Rock/Stoner Metal bem chupinhado de bandas como Black Sabbath e Candlemass, focando sempre em temas espirituais e místicos em suas letras.

O fato de ter contado com alguns dos melhores músicos da Suécia, como os vocalistas Christian “Spice” Sjöstrand e JB Christoffersson, rendeu a banda vários prêmios em seu país, bem como turnês ao lado de grupos como Iron Maiden e Queens Of The Stone Age, graças aos consistentes trabalhos “Spiritual Beggars”, “Another Way To Shine”, “Mantra III”, “Ad Astra”, “On Fire”, “Demons” e, o mais recente, “Return To Zero”.

Lançado pela mega gravadora InsideOut Music em 30 de agosto, o sétimo álbum da banda marca a estréia do vocalista Apollo Papathanasio (do Firewind), sendo produzido por Rickard Bengtsson, traz uma aula de como se fazer Stoner Metal, nostálgico e viajante (a começar pela capa, novamente um belíssimo trabalho).

E falando em viajante, a introdução que também é a faixa título (vai saber…) instantaneamente transporta o ouvinte para alguma dimensão paralela letárgica e cria o ambiente perfeito para a Sabbathica “Lost In Yesterday”, com destaque absoluto de Papathanasio (não esperava menos) e a cama criada por Per Wilberg nos teclados, tendência que se prossegue em “Star Born”, uma mistureba muito bem feita do Black Sabbath dos anos 80 e sopros de Deep Purple aqui e acolá, e a oitentista “The Chaos Of Rebirth”. Uma platéia ensandecida fake inicia “We Are Free” uma séria candidata a clássico e single do álbum: simples, direta, uma letra bem Rock’n’Roll e uma melodia que você assobia por horas, enquanto “Spirit Of The Wind” tem um clima meio nativo-americano e pode até ser considerado a balada do disco, com boas doses de cogumelos alucinógenos.

Dando continuidade, a cadenciada e Hard Rocker “Coming Home” e a épica “Concrete Horizon” revelam mais algumas facetas de uma banda que demonstra tocar por simples dedicação e amor pela profissão, tamanha a naturalidade em tocar músicas que mais parecem terem sido feitas há 30 ou 40 anos atrás. E o sentimento nostálgico continua em “A New Dawn Rising”, cuja estrutura parece lembra vagamente os momentos mais lúcidos das extensas jams que as bandas faziam ao vivo, assim como “Believe In Me”, que flerta em alguns momentos com o Prog-pop dos anos 80, com uma extra dose de peso. “Dead Weight”, por sua vez, retorna ao climão Black Sabbath/Candlemass, bem dramático e tão cadenciado que chega a dar nos nervos. A versão simples do álbum se encerra com “The Road Less Traveled”, bem bonita e conduzida totalmente no piano, lembra vagamente os cantores Pop americanos dos anos 70 e 80. Bizarro, heim? Mas ainda assim, muito bom.

Esse é um álbum que te fazem lembrar o quão diferentes eram as bandas há 4 décadas atrás, e como muitas foram tão importantes para as atuais que o sentimento consegue ser basicamente renovado e demonstrado novamente. O Spiritual Beggars com certeza não só é uma das bandas que carrega a bandeira da nostalgia em tempos incertos como os de hoje, como é um dos que estão na linha de frente.

Mais um da série “Por que diabos eu não ouvi esse álbum ano passado?”

01. Return To Zero
02. Lost In Yesterday
03. Star Born
04. The Chaos Of Rebirth
05. We Are Free
06. Spirit Of The Wind
07. Coming Home
08. Concrete Horizon
09. A New Dawn Rising
10. Believe In Me
11. Dead Weight
12. The Road Less Traveled

Line-up:

Apollo Papathanasio : Vocal
Michael Amott: Guitarra
Sharlee D’Angelo: Baixo
Per Wilberg: Teclados
Ludwig Witt: Bateria

Nota: 9

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