Formado no ano passado como um supergrupo do Heavy Metal Americano, o Charred Walls Of The Damned (que nome…) foi idealizado inicialmente pelo grande baterista Richard Christy, após a sua saída do Iced Earth em 2004 e o posterior ingresso no The Howard Stern Show, onde ficou por mais de cinco anos. E durante todo esse tempo, manteve na ativa a composição de músicas que viriam a compor esse debut.

Chamando os não menos lendários baixista Steve DiGiorgio (Sadus, Death, Iced Earth), o guitarrista Jason Suecof (produtor de inúmeros álbuns de NWOAM) e o vocalista Tim “Ripper” Owens (precisamos REALMENTE falar as ex-bandas dele?), Christy teve em mãos um dos maiores dream line-ups da história para gravar o primeiro álbum auto-intitulado.

Sob a tutela do próprio Suecof e lançado no dia 2 de Fevereiro via Metal Blade Records, “Charred Walls Of The Damned” traz um trabalho que parece vagar entre o Thrash, o Heavy e o Death Metal em alguns momentos menos lúcidos.

Sendo assim, é impossível não ouvir “Ghost Town” e lembrar instantaneamente de algum ótimo momento de “The Glorious Burden”, álbum de 2004 do Iced Earth, pois o clima épico, com uma bateria intensa e um vocal carregado de emoções teatrais remetem exatamente à esse trabalho, com a diferença mais latente talvez do timbre e alguns riffs de guitarra. E essa sensação continua em “From The Abyss” (uma amostra de qual o motivo de Owens ser o que é) e “Creating Our Machine”, mais regada de Metal oitentista, curta, direta e precisa. Em seguida, “Blood On Wood” traz novamente um toque de Thrash com boas doses de virtuosismo, onde quem realmente brilha é Richard Christy, embalando os riffs altamente quebrados e fora de tempo, que também aparecem na mais soturna “In A World So Cruel”, aquela típica música Sabbática e de andamento arrastado que todo álbum de Metal deve ter.

“Manifestations” talvez seja a pedrada mais agressiva do álbum, com blast-beats aqui e acolá e riffs tipicamente Death Metal, fazendo o contraste perfeito com o vocal rasgado e épico de Tim Owens, enquanto “Voices Within The Walls” lembram alguns ótimos momentos do Mercyful Fate, com algo a mais de Power Metal, podendo ser quase uma “balada”. E a porradaria volta a aparecer com “The Darkest Eye”, novamente baseada em riffs e andamentos de música extrema (a bateria só pode estar de sacanagem!) e em “Fear In The Sky”, que fecha o álbum de forma brilhante, com aquele tipo de refrão que te faz querer ouvir a música repetidas vezes.

Pode soar precipitado, mas esse álbum, se corretamente divulgado, poderia ser um dos grandes clássicos do Heavy Metal atual. Infelizmente, eu tive acesso à ele agora, na última semana do ano (antes eu sequer estava sabendo que tinha sido lançado!), mas com certeza mais do que absoluta, entra no rol dos 20 melhores álbuns de 2010. Só podemos esperar que os caras não lancem apenas esse álbum e deixem-no esquecido no limbo, como o ótimo “Beyond Fear”. Até porque 35 minutos de álbum, nessa qualidade, é sacanagem!

01. Ghost Town
02. From The Abyss
03. Creating Our Machine
04. Blood On Wood
05. In A World So Cruel
06. Manifestations
07. Voices Within Walls
08. The Darkest Eyes
09. Fear In The Sky

Line-up

Tim “Ripper” Owens: Vocal
Jason Suecof: Guitarra
Steve DiGiorgio: Baixo
Richard Christy: Bateria

Nota 9

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