Bom… é estranho perceber que JÁ estamos acabando 2010. Parece que foi ontem que eu estava fazendo o meu top 10 de 2009 (merecidamente liderado pelo Lynyrd Skynyrd!) e estava lá incessantemente ouvindo o álbum “Atittude”, do Susperia e o “Avatar”, do Avatar, que não saem das minhas playlists até hoje, aliás. Em resumo, posso dizer que, mesmo 2010 tendo ficado um pouco atrás do ano passado, foi um ano cheio de bons frutos.

Com relação aos shows, a nossa terrinha tupiniquim foi visitada por Metallica e AC/DC, depois de muito tempo, assim como a realização do SWU queimou a língua de muita gente (inclusive a minha), trazendo bandas do calibre de Rage Against The Machine, Linkin Park e tal.

Por outro lado, foi um ano de incontáveis perdas, como do vocalista Peter Steele (do Type O Negative), cuja morte desta vez era real, ao contrário dos boatos de anos passados. Perdemos também o baixista do Slipknot Paul Grey, um dos nove mascarados e um dos caras mais técnicos e presenciais do grupo. Apesar da implicância que muitos fan-boys metidos a true têm com os caras de Iowa, não se pode desrespeitar o trabalho deles. No lado mais Hard Rock, o grande vocalista Steve Lee, da banda suíça Gotthard sofreu um acidente de moto no deserto dos EUA, e infelizmente também passou desta para melhor, deixando no ar dúvidas sobre o destino de sua banda. E, como não poderia deixar de faltar, talvez a perda mais considerável deste século, Ronnie James Dio, o baixinho feioso que com certeza marcou a história da música com as suas passagens pelo Rainbow e Black Sabbath, além da ótima carreira-solo.

Ainda na parte triste da coisa, vemos pré-adolescentes descerebradas idolatrando troços como Restart, Cine, Justin Bieber e coisas do tipo. Isso realmente é de amargurar qualquer um. Quando você acha que os emos eram praga, os imbecis vêm com tudo pra cima de você.

Bom, o que mais de relevante em 2010… o Metalcore provou por A + B que está cada vez mais estagnado, com bandas umas iguais às outras surgindo em cada esquina. O Thrash Metal old-school parece estar passando por um momento de remodelagem, com moleques de 17 anos formando suas bandas para tocar um som sujo e pesado como de 30 anos atrás. Bandas como Forbidden, Immortal e outras parecem ter voltado do limbo e lançaram grandes trabalhos. O seu querido Judas Priest encerrou a carreira de turnês, assim como o Scorpions… Bom, não sei o que mais, qualquer novidade, postem nos comentários.

Vamos ao que interessa então:

10 – We Are The Void (Dark Tranquillity)

Eu nunca escondi que o Dark Tranquillity era uma das minhas bandas favoritas, e que o cenário sueco é o mais absurdamente fod* atualmente (se não considerarmos que, obviamente, o MeloDeath está cada vez mais estagnado). “We Are The Void” marcou a estréia do baixista/guitarrista Daniel Antonsson nas 4 cordas e é considerado a segunda parte do álbum anterior, “Fiction”, tanto que o próprio direcionamento das músicas, a sua atmosfera são bem parecidas. “Iridium” é o que resume todo o álbum.
09 – “We Rule The Night” (Sonic Syndicate)

A minha primeira impressão ao ouvir este álbum foi um sonoro e impressionado “WHAT THE FUCK?”. A banda parecia ter abandonado completamente a sonoridade MeloDeath, caminhando a algo mais Pop, flertando mais ainda com a música eletrônica e o Hip-hop. A entrada do novo vocalista Nathan Briggs e a sua voz limpa em evidência servem ainda mais para coçar a pulga atrás da orelha. Músicas como “Turn It Up” e “Revolution, Baby” não são Metal (muito menos Death!) nem aqui e nem lá nos confins gelados da Suécia! Mas quer saber? São ótimas músicas para quem não quer se levar tão à sério.
08 – “Angel Of Babylon” / “The Wicked Symphony” (Avantasia)

Eu pensei em falar primeiro dos dois separados. Mas não tinha como, são uma obra só e funcionam muito melhor dessa forma: o baixinho Tobias Sammet realmente chegou ao ápice da criatividade na mistura de Hard Rock e Power Metal que ele vem adotando desde “Hellfire Club”, do Edguy. O time de vocalistas que ele chamou dessa vez também foram um acerto completo: Jorn Lande, Michael Kiske, Russel Allen e trocentos outros, servem apenas para engrandecer a obra (chegando perto do Ayreon, ele QUASE conseguiu dessa vez!). É impossível destacar alguma das músicas, já que cada uma delas tem sua peculiaridade. Talvez “Runaway Train” resuma tudo da forma certa.
07 – “Road Salt One” (Pain of Salvation)

Mais uma vez, esses suecos querem dar um nó no nosso cérebro. A trupe de Daniel Gildenlow conseguiu lançar um álbum tão bizarro quanto “Scarsick”, mas dessa vez indo para o lado soft da coisa, invés dorevoltado. Flertando com post-rock, blues, opera, música clássica, hard rock, pop e sabe-se lá mais o que, criando uma peça única, que a cada audição, um novo detalhe se revela. “Sister” e a faixa-título com certeza são algo a se ouvir incessantemente.
06 – “A Thousand Suns” (Linkin Park)

De novo… o que é que esses caras estão pensando? Depois do impacto que “Minutes To Midnight” foi, trazendo um Linkin Park completamente remodelado, mais experimental e eletrônico, mas sem deixar de lado as suas raízes completamente. Dessa vez porém, eles mandaram um grande fod*-se para tudo e para todos, experimentando novas sonoridades ao último, com canções diversificadas e singulares, que junto conseguem formar uma só música que te prende, ainda que quase não se tenha guitarras, riffs, solos. Na verdade é isso mesmo, um álbum basicamente feito de barulhos e vocais. E o resultado é ótimo.
05 – “The Obsidian Conspiracy” (Nevermore)

Existem determinados tipos de bandas que você não espera uma revolução a cada disco. Ao mesmo tempo, você tem certeza absoluta que qualquer coisa que eles lançarem será de qualidade. O Nevermore tem uma das carreiras mais sólidas do heavy Metal, o que explica toda a aura cult que eles tem, principalmente desde os clássicos “Dead Heart In A Dead World” e “This Godless Endeavour”, o distante último álbum de estúdio em 2005. “The Obsidian Conspiracy” é Nevermore até a raiz, cada vez mais pesado, cada vez mais técnico, cada vez mais dramático. Isso basta.
04 – “The Panic Broadcast (Soilwork)

Do mesmo grupinho que fazem parte Dark Tranquillity, In Flames, At The Gates e tal, o Soilwork caminhou sempre pelo lado mais “moderno” do MeloDeath, cheia de efeitos e com a voz de Björn Strid sendo o principal destaque desde sempre. O seu último trabalho, “Sworn To A Great Divide” pode ser considerado um dos grandes trabalhos definitivos do estilo, e o grande desafio para os suecos era ao menos equiparar com “The Panic Broadcast”. Bom, missão cumprida, em partes pelo retorno de Peter Wichers, que injetou uma injeção de criatividade e novos direcionamentos para as músicas, conseguindo sair ainda mais do óbvio.
03 – “At The Edge Of Time” (Blind Guardian)

Blind Guardian é igual vinho. Quanto mais velho, vai ficando melhor.
02 – “Beyond Hell, Above Heaven” (Volbeat)

Volbeat. A ótima surpresa de 2010. Mesmo com ótimos trabalhos em sua discografia, nenhum deles pode ser considerado homogêneo ou candidato à melhor do ano. Porém, com “Above Heaven, Beyond Hell”, a banda chegou ao seu ápice, um álbum dinâmico, transbordando em feeling, com participações especialíssimas, onde TODAS as músicas tem algo de especial que te fazem querer ouvir todo o álbum de novo.
01 – “Nightmare” (Avenged Sevenfold)

Pois é, não deu mesmo. Temos todos que dar o braço a torcer e reconhecer que os tatuados do Avenged Sevenfold lançaram o melhor álbum de 2010 (e isso não tem nada a ver com o fato de Portnoy ter gravado ele – como vocês sabem, eu nem gosto de Dream Theater). Músicas soturnas, com um sentimento negativo convertido em musicalidade, por causa da morte do baterista The Ver. Estou tentando falar sobre o álbum aqui mas é difícil. Foi o que mais tocou nos meus players, no carro, no mp3 durante 2010. Então é mais do que merecido estar no topo do top 10 deste ano.

E é isso aí… que venha 2011!

[Ficaram de fora mas poderiam ter entrado]:

Hellyeah – “Stampede” (Southern Metal/New Metal)
Dimmu Borgir – “Abrahadabra” (Symphonic Black Metal)
Forbidden – “Omega Wave” (Thrash Metal)
A
llen/Lande – “The Showdown” (Hard Rock/Power Metal)
Spiritual Beggars – “Return To Zero” (Stoner Metal)
The Showdown – “Blood In The Gears” (MeloDeath/Metalcore)
Sodom – “In War and Pieces” (Thrash Metal)
Masterplan – “Time To Be King” (Power Metal)
Bullet For My Valentine – “Fever” (Metalcore)
Band of Joy – “Band of Joy” (Sério????)

Anúncios