Uma das poucas bandas de destaque remanescentes nos EUA que insistem no Power Metal, o Kamelot vai muito além disso ao ter se tornado um dos alicerces do estilo, com um som que se difere em muito do básico, agregando diversos elementos, que os colocam como um novo pilar de direcionamento que toda uma vertente pode tomar. Após uma sucessão de aclamados trabalhos, principalmente “Karma”, “Epica” o intocável “The Black Halo” e o soturno “Ghost Opera”, a trupe de Roy Khan, Thomas Youngblood e Cia garantiu o seu lugar no panteão do Heavy Metal.

“Poetry For The Poisoned” é o nono album da carreira da banda, marcando a volta do seu baixista original Sean Tibbetts, além da continuação do processo de exploração musical que a banda iniciou anos atrás, moldando o seu som para fora da mesmice, sabendo mesclar com diversas influencias. Produzido pela dupla definitiva do Power Metal Sascha Paeth e Miro, o novo trabalho da banda foi lançado no dia 10 de setembro via earMusic, contando com diversas participações especiais, como Simone Simmons, Björn Strid e Jon Oliva.

“The Great Pandemonium” foi o primeiro vídeo de divulgação do álbum (novamente uma ultra produção de deixar muitas bandas grandes de queixo caído) e segue a linha do álbum anterior, bem quebrado e atmosférico, como em “If Tomorrow Came”, onde a cama feita pelo teclado de Oliver Palotai guia toda a música e resquícios do Power/Speed Metal aparecem aqui e acolá, ainda que de forma bem sutil. A dobradinha “Dear Editor” e “The Zodiac” tratam daquele famoso assassino que foi tema de trocentos filmes alguns anos atrás, com a especialíssima participação de Jon Oliva, cuja voz arranhada encaixou certinha no tema e no andamento da música. “Hunters Season” em seguida pode ser considerada uma música “porrada” do Kamelot, considerando que as desse tipo estão cada vez mais raras, dando lugar aos temas grandiosos e operísticos, como a balada “House On A Hill”, novamente com a presença da ótima Simone Simmons, naqueles duetos que nem tem o que se falar. E o clima tenebroso continua com a cadenciadíssima “Necropolis” e um show de interpretação de Roy Khan.

“My Train Of Thoughts” dá continuidade ao álbum, novamente como algo extraído de “Ghost Opera”, como a teatral “Seal Of Woven Years”, que poderia muito bem servir de soudtrack para algum filme épico, tamanha a grandiosidade e detalhes. Depois, começa a suíte “Poetry For The Poisoned” com “Incubus”. Particularmente, não vejo porque dividir em 4 uma música que teria aproximadamente 9 minutos se fosse uma só, mas tudo bem. A exemplo de “Elizabeth”, do álbum “Karma”, as músicas são extremamente épicas, contando uma história mesmo, da forma mais agonizante e interpretativa, como na parte 2, “So Long” e as curtas “All Is Over” e “Dissection”. O álbum termina com a pesadíssima (calcule!) “Once Upon A Time”, que não foge em muito de tudo que o Kamelot já fez e tem feito, principalmente em músicas com esse direcionamento.

Eu já disse muitas vezes que o Kamelot era uma das maiores bandas surgidas nos últimos anos, e uma daquelas com sonoridade única digna de se tornar uma lenda de todo um estilo. A sua música permeia tenuamente entre o Power, o Prog e sabe-se lá mais o que, o que de forma alguma tira o mérito, pois é exatamente com base nisso que a banda construiu uma carreira sólida e uma singularidade incrível. Se “Poetry For The Poisoned” não é o melhor álbum deles, com certeza não deve em nada para os outros.

01. The Great Pandemonium
02. If Tomorrow Came
03. Dear Editor
04. The Zodiac
05. Hunter’s Season
06. House On A Hill
07. Necropolis
08. My Train Of Thoughts
09. Seal Of Woven Years
10. Poetry For The Poisoned I – Incubus
11. Poetry For The Poisoned II – So Long
12. Poetry For The Poisoned III – All Is Over
13. Poetry For The Poisoned IV – Dissection
14. Once Upon A Time

Nota 8

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