O projeto paralelo do vocalista Corey Taylor (Slipknot), Stone Sour, surgiu na realidade bem antes do famigerado grupo de mascarados. O que pouca gente sabe é que a banda esteve na ativa entre 1992 e 1997, quando Corey e o guitarrista Jim Root se integraram ao Slipknot, voltando à ativa em 2002, lançando os aclamados “Stone Sour”, no mesmo ano e “Come What(Ever) May” em 2005.

Após o término dos compromissos na divulgação de “All Hope Is Gone”, em janeiro de 2010 o Stone Sour entrou no Blackbird Studios, em Nashville, sob a tutela do produtor Nick Raskulinecz, que já havia trabalhado com a banda no álbum anterior, com cerca de 25 músicas para serem finalizadas. De acordo com o vocalista, este seria o mais soturno dos álbuns do Stone Sour, carregados de belas melodias, algo que já vem sendo feito no próprio Slipknot.

E faixa título, que nada mais é do que uma introdução, digna daquelas bandas de Doom Metal e afins, com um teclado melancólico demais e notas ecoantes criando um clima que nada tem a ver com “Mission Statement”, uma música que poderia muito bem ter saído do “All Hope Is Gone”. As diferenciações com sua banda principal só começa a surgir com “Digital (Did You Tell)” (sacaram o trocadilho?), aproximando-se de algo mais melódico e cadenciado, mais Pop Rock americano (apesar das passagens e riffs extremamente certeiras), algo mais evidenciado ainda no single “Say You’ll Haunt Me”, pegajosa e com uma letra mais ainda, ótima para martelar na sua cabeça por dias, assim como a baladinha “Dying”. Que é exatamente isso, uma baladinha, que parece ter sido feita por uma banda de garagem, tamanha a falta de graça (eles já provaram que podem fazer MUITO melhor). Em seguida, “Let’s Be Honest” tem riffs e melodias que me lembraram o… Circle II Circle! É praticamente impossível comparar as duas, mas nessa música, o sentimento, a estrutura, ficou muito semelhante, assim como “Unfinished” novamente lembra Slipknot de forma incômoda. A próxima balada “Hesitate”, ao contrário da anterior, tem um feeling mais bem construído e pensado.

“Nylon 6/6” é a nona canção do disco e tem uma levada estranhíssima assim como o seu nome, daquele tipo que chega a ser impensável tocar ao vivo para não perder o tempo, o que acaba atrapalhando um pouco as melodias, diferente da atmosférica (MAIS UMA… parece um disco do Scorpions!) balada, com seu clima meio Southern e Bluesy (nas devidas proporções), seguida de “Pieces”, mais uma no esquema mezzo-cadenciada/mezzo-balada, que a essa altura da audição ficam um tanto cansativas. Não que seja uma música de toda ruim, mas o local dela no tracklist foi infeliz. Por sorte, a pedrada New Metal “The Bitter End” devolve o clima mais agressivo da banda, toda quebrada e com riffs dignos, um dos grandes destaques do álbum, seguida por outra, adivinhem… balada, mas deve-se dar o braço a torcer e reconhecer que “Imperfect” é um daqueles momentos tão carregados de sentimentos que é impossível não ouvi-la no repeat até ter decorado cada parte. Bom, e considerando que o álbum é recheado de baladas e músicas mais negativas, “Threadbare” não poderia terminar de forma diferente, uma música realmente soturna, depressiva e cinzenta, com uma parte instrumental no seu meio digna de nota!

A versão digipack vem com três bônus: “Hate Not Gone”, uma música pesada e bem fists-in-the-air, que sabe-se lá porque diabos ficou de fora do disco normal, mesma coisa com a balada “Anna”, que com certeza poderia ser um grande single, e a pesada “Home Again”, que também ficaria muito bem no lugar de várias no lugar das escolhidas para o tracklist oficial. Vai entender…

O Stone Sour é uma banda muito mais comercial e melódica que o Slipknot, então talvez seja difícil comparar as duas a primeiro instante (como 90% dos fan-boys adoram fazer), mas… o real problema, é que o último trabalho dos mascarados se aproximou de uma sonoridade mais soturna, menos daquela destruição infernal de “Iowa” e se aproximando mais ainda do projeto paralelo-mas-que-é-mais-velho de Corey Taylor.

Não que isso seja ruim, é claro… afinal de contas, basicamente quase todo ano tem cd desses caras.

01. Audio Secrecy
02. Mission Statement
03. Digital (Did You Tell)
04. Say You’ll Haunt Me
05. Dying
06. Let’s Be Honest
07. Unfinished
08. Hesitate
09. Nylon 6/6
10. Miracles
11. Pieces
12. The Bitter End
13. Imperfect
14. Threadbare

15. Hate Not Gone
16. Anna
17. Home Again

Line-up:

Corey Taylor: Vocals
James Root: Guitarra / Teclado
Josh Rand: Guitarra
Shawn Economaki: Baixo
Roy Mayorga: Bateria

Nota 7

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