Dimmu Borgir, a banda mais poser e purpurinada do Black Metal norueguês. Isso é ruim? Claro que não! A trupe liderada por Silenoz e Shagrath tem uma das carreiras mais sólidas da história, com músicas bem elaboradas e um excelente trabalho orquestral. Pois bem, grande parte de 2009 e 2010 a banda teve problemas com a demissão de ICS Vortex e Mustis (uma das maiores cagadas na minha opinião) e um temor por parte de fãs.

Aparentemente a banda se reergueu e começou a produção do que viria a ser “Abrahadabra”, e a maior curiosidade dos fãs era saber o que seria da banda sem dois elementos importantes no som deles. Pois bem, entre o final de setembro e o começo de outubro a banda teve uma das maiores promoções em questão de divulgação e lançamento de versões especiais que uma banda de Metal já teve, ainda mais por ser de uma vertente mais extrema.

Produzida pela banda e mixado por Andy Sneap, além de zilhões de participações, “Abrahadabra” é um recomeço para a banda.

A soturna e longuíssima introdução “Xibir” traz um clima bem parecido com o de “In Sorte Diaboli”, bem orquestrado (algumas pessoas podem até começar a achar que a saída de Mustis não tenha influenciado muita coisa) e lembrando a primeira música do “Mentalize”, do André Matos (se não acreditam, comparem). “Born Treacherous” é a primeira música real e pode assustar os mais despreparados: música cadenciada, com riffs quase Heavy Metal e muito pouco do Black Metal nem tão sujo, nem tão profano e nem tão visceral de outrora. Porém, basta se livrar de algumas más impressões iniciais para apreciar o quão complexo e diversificado o Dimmu Borgir se tornou. E mesmo assim, eles ainda conseguem fazer singles que chega a dar nos nervos: a primeira divulgada “Gateways” é uma séria candidata a clássico absoluto da banda, com a participação de Agnete Maria Forfang Kjølsrud (ufa!) e arranjos orquestrais dignos de nota, além de um Shagrath menos vomitado e mais inteligível, que mesmo com os exageros de efeitos em sua voz, de nada tiram o brilho da música. A quarta, “Chess With The Abyss” (com seu título genial) tem uns riffs sujos tipicamente Black Metal, mas complementados com arranjos e passagens extremamente épicas, quase trilha sonora de filme, que se prossegue na finalmente-uma-música-com-o-nome-da-banda-depois-de-todos-esses-anos “Dimmu Borgir”, com a alta influência de Therion (clara e descarada) e, pasmem, melodias assoviáveis (quem diria!).

Estranhos dedilhados iniciam “Ritualist”, que mesclado a uma levada bem Black Metal (na sua devida proporção) começam a fazer você se perguntar onde estão os blastbeats de verdade. Pois bem, eles só aparecem momentaneamente em “The Demiurge Molecole” e “A Jew Traced Through Coal”, o que pode levar a questões como: seria um experimento de apenas um álbum? O Dimmu Borgir seria o irmão mais evil do Rhapsody? Estariam querendo eles provar que não precisam do Mustis? Bom, talvez a pedrada “Renewal” ainda deixe dúvidas no ar, pois é a única música realmente rápida do álbum, mas que, por causa do uso da orquestra, se aproxima mais do Power Metal do que do Black Metal sujo profano e visceral, principalmente no refrão epicamente honrado. A última música da versão regular é “Endings and Continuations”, talvez um resumo muito bem feito do que é “Abrahadabra”: riffs pesadíssimos, cadenciados, com toques de Metal mais tradicional, corais, um Shagrath mais versátil e cheio de efeitos, a orquestra onipresente e criando um clima perfeito.

O Dimmu Borgir parece estar se reerguendo, e talvez a sua forma final não seja exatamente como a anterior (se vai ser ou melhor, só o tempo dirá). As últimas declarações da banda levam a crer que o Black Metal os cansou com o passar dos anos e eles estão tentando se tornar cada vez mais versáteis e, mesmo com toda aquela novela da saída de ICS Vortex e Mustis (que na minha opinião foram perdas inacreditáveis e irreparáveis… com todo o respeito…. Snowy Shaw???), a banda está tentando voltar aos eixos. “Abrahadabra” não é o melhor álbum da banda, mas cumpre bem seu papel ao tentar apresentar o novo Dimmu Borgir para o mundo.

01. Xibir
02. Born Treacherous
03. Gateways
04. Chess With The Abyss
05. Dimmu Borgir
06. Ritualist
07. The Demiurge Molecule
08. A Jew Traced Through Coal
09. Renewal
10. Endings And Continuations

Line-up

Shagrath: Vocal / Teclados
Silenoz: Guitarra
Galder: Guitarra

Snowy Shaw: Baixo / Vocal
Daray: Bateria
Agnete Maria Forfang Kjolsrud: Vocal
Kristoffer Rygg: Vocal
Ricky Black: Slide Guitar
Andy Sneap: Guitarra
Gerlioz: Teclado
The Norweign Radio Orchestra
The Schola Cantorum Choir

Nota 9

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