Alguns sujeitos no mundo da música adquirem com o passar do tempo a característica de gênio ou lendas. E com certeza esse é o caso do senhor Jeffrey Phillip Wielandt, ou, mais conhecido pela alcunha de Zakk Wylde, o ogro gigante beberrão sulista que esteve no comando das guitarras da banda de Ozzy Osbourne por 22 anos, responsável pela criação de muitos clássicos eternizados do Heavy Metal. Junto a isso, a sua banda solo, o Black Label Society, manteve-se em atividade paralela, lançando oito álbuns de estúdio desde então.

Após a conturbada (para o público, pelo menos) saída de Wylde da banda de Ozzy (sendo substituído pelo grego Gus G), ele pode focar todo o seu processo criativo em sua banda, e no lançamento do novo álbum, intitulado “Order Of The Black”.

Contando dessa vez com o seu parceiro de longa data Nick Catanese, o baixista John DeServio e o baterista do Evanescence (!!!) Will Hunt, o Black Label Society entrou em estúdio para compor o primeiro álbum desde “Shot To Hell”, de 2006, conseguindo um contrato de distribuição pela E1 Music e Roadrunner, possibilitando que “Order Of The Black” tenha vendido mais de 33 mil cópias na semana de seu lançamento, chegando a 3º lugar na Billboard em 10 de agosto.

A pedrada “Crazy Horse” abre o disco mostrando que uma vez Black Label, sempre Black Label (não que haja algum problema com isso!), com seus riffs certeiros, a voz cheia de efeitos de Zakk e os inconfundíveis harmônicos, que se seguem por todo o álbum. “Overlord”, música tema do vídeo totalmente jocoso (e muito bem feito) é um pouco mais cadenciada e muito descompromissada, caindo para o lado mais “let’s have fun” mesmo enquanto “Parade Of the Dead” flerta mais ou menos com o Thrash Metal, uma veia bem Pantera nos seus momentos mais clássicos. A balada “Darkest Days” remete aos momentos mais leves de “Blessed Hellride”, engrandecidos pela voz cada vez mais suja pela bebida de Wylde, seguida pela quase setentista “Black Sunday” e a Stoner “Southern Dissolution”, candidata à ultra-mega-clássico da banda, com seus riffs e melodias fod*mente pegajosas.

A balada Sabbathica “Time Waits For No One” tem um que de In This River misturada com Changes, conduzida no piano e se aproximando em muito das bandas mainstream que tocam nas rádios…. e isso não tira em nada o valor da música, principalmente pelo solo de guitarra dela, que é de arrancar feeling de todos os poros. E se não bastasse a já supracitada “Southern Dissolution”, “Godspeed Hellbound” (título genial) com sua levada Thrashy é outra candidata a figurar para sempre nos set-lists da banda. Falando em Sabbath, aliás, a levada meio Doom de “War Of Heaven” remete às bandas que chupinharam o som do Black Sabbath fase Ozzy, tipo Candlemass, Cathedral e outros, com um clima mais arrastado. Mais uma balada, “Shallow Grave” é uma daquelas típicas cujo verso empolga mais que o refrão e não muda a vida de ninguém ouvir, seguida pela instrumental “Chupacabra”, nos mesmos moldes das outras instrumentais-acústicas-impossíveis-de-tocar que Zakk fez nos álbuns anteriores, e “Riders Of The Damned”, que também não foge muito do estilo clássico do Black Label Society. O álbum fecha com a grata surpresa “January”, com Zakk cantando inacreditavelmente bem e uma cama de violão e “orquestra” muito bem encaixada, que daria uma ótima trilha de filme. Geralmente, uma balada não é uma ótima escolha para fechar, mas essa escolha aqui pareceu acertada.

Resumindo? Abra uma garrafa de um bom e velho Whiskey e ouça. Não existe melhor forma de curtir um álbum do Black Label Society. E esse definitivamente é um típico e ótimo álbum de Zakk Wylde e Cia.

01. Crazy horse
02. Overlord
03. Parade Of The Dead
04. Darkest Days
05. Black Sunday
06. Southern Dissolution
07. Time Waits For No One
08. Godspeed Hellbound
09. War Of Heaven
10. Shallow Grave
11. Chupacabra
12. Riders Of The Damned
13. January

Nota 9

Anúncios