(Antes de mais nada. Se você é um fan-boy que acredita que a sua banda favorita é a melhor do mundo, que qualquer comentário depreciativo mesmo com base em fatos ou opiniões pessoais são uma verdadeira afronta á ela – e a você mesmo, por alguma razão -, eu sugiro que pare de ler esse review AGORA. É um aviso sincero. Fiquem a vontade para rebater o post com suas opiniões – afinal, ninguém precisa concordar com ninguém – ou até mesmo acrescentar alguma coisa. Por outro lado, atitudes revoltosas de pessoas de mente fraca que tentem agredir verbalmente outro leitor, o Progcast, a mim – ou qualquer pessoa da minha árvore genealógica – estarão sujeitos a terem seu comentário apagado e, dependendo do nível, passar por algum tipo de humilhação que eu ainda não pensei, só para parar de ser otário. Obrigado, e aproveitem o texto)

Iron Maiden. O que podemos falar sobre eles? Que são a maior e mais influente banda de Heavy Metal? Que já deixou de ser simples música e virou uma religião? Que poucas coisas venderam tanto quanto a sua discografia? Que é uma das mais consistentes bandas em questão de criatividade? Que são a maior entidade do Metal há pelo menos 25 anos? Sim, podemos falar tudo isso, e várias coisas mais.

Já faz um tempo desde que “The Final Frontier” foi lançado e mesmo assim, todo o rebuliço ao redor do lançamento mais esperado de 2010 não acalmou nem um pouco. Particularmente, não senti tanta ansiedade por esse álbum, até mesmo porque o Iron Maiden nunca figurou entre as minhas bandas favoritas, então, preferi esperar para ouvi-lo com a merecida calma.

Lançado mundialmente no dia 16 de Agosto, “The Final Frontier” é o 15º álbum da Donzela, e, se tudo der certo e Mr Steve Harris cumprir a promessa, é o último álbum de estúdio da banda, o que com certeza aumenta ainda mais o misticismo por trás dele. Review por review, mídias especializadas rasgavam seda a torto e a direito, megalomaniando o último trabalho da banda, as típicas reações que todo lançamento envolvendo a entidade Iron Maiden recebe.

Produzido pelo companheiro de longa data Kevin Shirley, junto com Steve Harris, “The Final Frontier” é o maior e mais épico álbum já lançado pela banda em toda a sua carreira, com as suas 10 músicas completando 76 minutos e 34 segundos de duração, algo grandioso para um álbum que estreou em primeiro lugar de vendas em vinte e três países. Isso mesmo… VINTE E TRÊS (inclusive no Brasil).

“Satellite 15…Final Frontier” já abre o álbum de maneira exagerada, dividida em duas partes, uma mais atmosférica e espacial, culminando na faixa título, com o seu andamento rápido, tipicamente Iron Maiden dos últimos álbuns e o refrão clichê, repetindo o nome da música 4 vezes. Particularmente (e agora que as pessoas vão começar a me xingar), achei uma música fraca e sem presença para abrir um álbum, com melodias que não chegam nem aos pés de outras faixas títulos como “Brave New World” ou “Dance of Death” (isso porque nem estou considerando as outras épocas). Em seguida, a já velha conhecida “El Dorado”, que foi liberada algum tempo antes do lançamento (em uma qualidade bisonha de tão horrível), continua não sendo tão cativante quanto se espera. Eu lembro na época do seu lançamento, algumas pessoas falando coisas do tipo “É claro que é bom, é Iron Maiden!”. Com todo o respeito à todos que gostaram da música (afinal é bem subjetivo, certo?), grandes merd* que é Iron Maiden! Como se eles nunca tivessem feito uma música ruim antes…

A terceira faixa “Mother Of Mercy” é o ponto em que as coisas começam a ficar mais interessantes: seguindo uma estrutura semelhante ao Iron do “Brave New World” pra cá, com várias mudanças de andamento e um grande desempenho de Dickinson, de forma que não apenas o refrão, mas toda a música pegue o ouvinte mais desavisado logo de primeira. Falando no vocalista, a próxima música, “Coming Home” tem um profundo toque do que ele faz em sua carreira solo e com certeza, um dos pontos altos a serem apresentados na vindoura turnê, assim como “The Alchemist”, a faixa mais curta do álbum, bem direta e com um punch bem mais clássico no sentido Heavy Metal da coisa, inclusive com as aquelas ótimas melodias para todos cantarmos os “ooooooohhhhhhhh” em uníssono nos shows.

“Avalon”, a primeira da série de músicas épicas que fazem parte da segunda metade do disco, tem um sério problema: não ter um clímax. Ela passa a ligeira impressão que vai “chegar a algum lugar”, mas a série de melodias repetidas e inconclusivas em 9 minutos fazem dela uma das mais cansativas músicas que o Iron Maiden já lançou. E infelizmente, “Starblind”, em seguida não ajuda muito a quebrar o clima, já que as melodias, riffs e passagens do seu começo parecem apenas repeteco do resto do álbum e do que a banda tem feito nos últimos anos. A ponte, porém, e o refrão, conseguem fazer dela um momento bem interessante, um lado mais atmosférico, mesmo que bem pesado, não muito explorado, cujo ápice se dá no segundo bloco de solos.

Os acordes épicos de “The Talisman” e a sua triste melodia também se mostram um grande momento, como se uma história estivesse sendo contada, descambando para um Heavy Metal pesado e galopado, como se espera, com partes tão honradas que já se pode imaginar o público com os fists-in-the-air nos shows. “The Man Who Would Be King” vem em seguida (repetindo novamente a estrutura começo leve / riff de entrada / verso / refrão / solo / etc etc etc), com sua levada mais cadenciada e um ótimo trabalho das 3 guitarras (mostrando pra que elas realmente servem), principalmente no refrão, nos solos e no final.

O álbum se encerra com “When The Wild Wind Blows”, e por si só, ela merece uma resenha a parte, por vários motivos. Antes de mais nada, Steve Harris sempre disse pra um mundo e meio que o Iron Maiden sempre lançaria 15 álbuns de estúdio. Bem, o sugestivo “Final Frontier” é o 15º. Ou seja, “When The Wild Wind Blows” pode ser a última música da donzela que se ouvirá. O clima “there’s no turning back” da música realmente incomoda, mesmo que ela esteja falando sobre problemas ambientais. A sensação que ela passa é semelhante ao que (eu particularmente) verificado em “End Of The Road”, a música que fecha o último álbum do finado Sentenced, algo como um adeus: grandes melodias, um sentimento de auto realização muito profundo, o feeling a frente de qualquer instrumento, de forma que os seus 11 minutos são curtos. De longe, é o grande destaque do álbum e talvez candidata a um dos grandes clássicos épicos do Iron Maiden.

Resumindo: “Final Frontier” pode ser um deleite para os fãs mais aficionados, cegos e que engolem qualquer peido que a banda lance. Por outro lado, temos de convir que é impossível não ouvir o álbum inteiro e terminar com uma cara de cueca suja. Particularmente, achei o som megalomaniamente épico, mas que ficou tão exagerado que passou a ser forçado, tirando a organicidade da música deles. Não, eu não estou falando que eu esperava um “Powerslave II” ou músicas mais básicas como “The Evil That Men Do” ou “Flight Of Icarus”, mas ainda assim, elas funcionam muito melhor do que as presentes neste álbum, que com exceção de 3 ou 4, é complicado e cansativo ouvir até o final.

Não sei se é o final ou não do Iron Maiden, então, a resenha fica sem final também…

01. Satellite 15… The Final Frontier
02. El Dorado
03. Mother Of Mercy
04. Coming Home
05. The Alchemist
06. Isle Of Avalon
07. Starblind
08. The Talisman
09. The Man Who Would Be King
10. When The Wild Wind Blows

Line-up:

(Sério, me recuso a por isso aqui…. É IMPOSSÍVEL vocês não saberem o line-up!)

Nota 7

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