Quem não se lembra da coqueluche que foi o Linkin Park nas rádios brasileiras lá pelos idos de 2001, 2002? A banda emplacou pelo menos 4 músicas do seu álbum de estréia “Hybrid Theory”, sendo um dos álbuns mais bem vendidos da história. A mistura entre Rap, Rock e trocentos efeitos eletrônicos colocaram a banda a frente do que seria o New Metal americano nos anos seguintes (apesar de, particularmente, eu achar que de Metal eles não tem nada).

“Meteora”, o trabalho seguinte manteve a sonoridade praticamente intacta, mas foi durante a turnê deste álbum e o engajamento em diversas ações sociais/ambientais que começou a mudar o direcionamento do som dos caras: “Minutes To Midnight” trouze um Linkin Park muito mais maduro e experimental, flertando com diversos outros estilos, o que desagradou boa parte dos fãs (sim, todos cheios de mimimi).

Pois bem, o quarto álbum da banda, novamente sob a tutela de Rick Rubin, foi intitulado de “A Thousand Suns” e segundo a própria banda, seria conceitual (sobre o apocalipse nuclear, bombas atômicas, destruição ambiental… o básico) e muito mais experimental que o antecessor, o que deixou muita gente de orelha em pé. E bem… eles cumpriram a palavra…

A dobradinha estranha de entrada “The Requiem”/”The Radiance” (que não totalizam nem 3 minutos) já mostram que alguma coisa eles aprontaram nesse disco, com um clima todo atmosférico e vozes sintetizadas, e um discurso de Robert Oppenheimer sobre a bomba atômica. A primeira música de fato é “Burning In The Skies” e, se você entra esperando algum começo cheio de guitarras ou uma música pesada/rápida, bom, esqueça, pois ela é basicamente uma balada acústica/eletrônica, carregada de feeling, representando o momento da queda de uma bomba, o desespero de uma forma diferente. Em seguida, “Empty Spaces” com os seus barulhos de explosão serve apenas como um prelúdio para “When They Come For Me”, um rap conduzido por Mike Shinoda, mais ao estilo presente em “Minutes To Midnight”, com o groove comandado pelo baixo, enquanto o piano comanda “Robot Boy”, mais uma música bem depressiva, mais alternativo que nunca, flertando em momentos até com o Post Rock. “Jornada Del Muerto”, depois, também funciona como um interlúdio do álbum, ligando com o single “Waiting For The End”, onde o primeiro resquício do que seria um riff de guitarra aparece, mas lá no fundo, em uma música que lembra muito um Reggae, com um refrão que insiste em permanecer horas na sua cabeça.

“Blackout”, a próxima música, talvez seja um dos raros momentos que a banda chega perto do seu som de outrora (mas ainda bem longe), com Chester tomando a frente nos vocais mais rappeados e soltando os seus típicos berros rachados no refrão, a exemplo de “Wretches and Kings”, onde o discurso de Mario Savio dá passagem para um Rap de Shinoda que poderia muito bem ter estado no álbum anterior. “Wisdom, Justice and Love” traz o famoso discurso de Martin Luther King, uma introdução perfeitamente encaixada para “Iridescent”, uma belíssima balada, enquanto “Fallout” traz novamente um som extremamente sintetizado e programado, introduzindo a primeira música divulgada do álbum “The Catalyst”, uma música que ao mesmo tempo se assemelha ao Linkin Park antigo e traz um conceito absolutamente novo, uma escolha acertadíssima para ser o single. A depressiva balada “The Messenger” encerra o álbum, deixando em sua letra uma certa dose de… não sei… esperança?

A aceitação de “A Thousand Suns” mundo afora não foi das melhores. Inclusive muitos fãs e críticos deram respostas desfavoráveis ao novo caminho que o Linkin Park está seguindo. Grande parte disso, é que provavelmente ninguém esperava um álbum tão experimental assim, com dose de complexidade muito maior que álbuns como “Hybrid Theory” e “Meteora”, praticamente sem nenhuma música que tenha aquele apelo comercial de hits como “In The End” ou “Numb”, principalmente pelo fato de que é uma obra única e singular: não deve ser apreciado em partes, mas sim como uma coisa só. E essa capacidade de metamorfose, mandando um fod*-se para os reclamões é a mais admirável características da banda.

Aliás, eles mesmo já disseram que não vai haver outro “Hybrid Theory”… então… fiquem chupando o dedo e esperem sentados. Àqueles que tem uma mente mais aberta, basta admirar o ótimo trabalho que o novo álbum trouxe.

01. The Requeim
02. The Radiance
03. Burning In The Skies
04. Empty Spaces
05. When They Come For Me
06. Robot Boy
07. Jornada Del Muerto
08. Waiting For The End
09. Blackout
10. Wretches And Kings
11. Wisdom, Justice And Love
12. Iridescent
13. Fallout
14. The Catalyst
15. The Messenger

Line-up:

Chester Bennington – Vocal
Mike Shinoda – Vocal / Guitarra / Teclados
Brad Delson – Guitarra
Dave “Phoenix” Farrell – Baixo
Joe Hahn – Sintetizadores / Samples / Turntables
Rob Bourdon – Bateria

Nota 9

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