Uma das bandas mais cult do cenário progressivo surgido no começo dos anos 90, o Spock’s Beard (nome bizarro, ao mesmo tempo inesperado) é mais conhecido pelo fato de já ter tido em sua formação os lendários irmãos Neal e Alan Morse, sendo que hoje apenas o segundo permanece na banda. Neal deixou a banda em 2002 para se dedicar exclusivamente a sua carreira-solo, abrindo espaço para que o então baterista Nick D’Virgilio assumisse os vocais e partes das guitarras (opa, quem mesmo já fez isso?).

Ao longo destas quase duas décadas de atividade (a banda oficialmente surgiu em 1992), foram explorados tanto a sonoridade clássica do Rock Progressivo (Genesis, principalmente), agregado nuances de Pop e um toque Heavy Metal, a exemplo do que o Dream Theater vinha fazendo.

Em Julho de 2009, a banda anunciou que lançaria o seu décimo álbum de estúdio de forma independente, onde as pré-vendas do álbum financiariam a sua gravação/produção, e os compradores receberiam uma das 5000 cópias limitadas. Praticamente a mesma coisa foi feita pelo Marillion no lançamento do álbum “Anoraknophobia”.

“X” então, é lançado em Maio de 2010 pela própria banda, e todos aqueles que compraram a “Ultra-box” na pré-venda receberam uma série de itens adicionais, com o nome e tal. Atitude inteligente e bem interessante, tanto para os fãs quanto para a banda.

Fortes sopros de Rush abrem o disco com “Edge Of The In-Between” (quer nome mais Prog que esse?), mas que ao longo dos seus mais de 10 minutos de duração passeiam por influências que vão de Yes a Gentle Giant, passando por Dream Theater e até mesmo o Hard Rock dos anos 80, uma música incrivelmente dinâmica, construída com belas melodias, que nem se percebe o tempo passar. Um pouco mais épica, “The Emperor’s Clothes” mantém um clima bem oitentista, trazendo um ótimo jogo de vozes (olhai, Savatage) e algo que nos remete ao Wishbone Ash, enquanto a instrumental “Kamikaze” revela um lado mais caótico da banda. Particularmente eu esperava algo com passagens orientais, mas a música poderia muito bem ter saído de algum dos álbuns dos anos 80 do Rush. A suíte “From The Darkness”, com seus mais de 16 minutos é um capítulo a parte: conduzida pelos ótimos arranjos de baixo de Dave Meros e solos no mínimo geniais de Alan Morse, dividem-na em quatro partes (The Darkness, Chance Meeting, On My own e Start Over Again).

Falando em baixo, “The Quiet House” privilegia novamente as ótimas linhas ao longo de toda a sua música, mais melódica e altamente influencia pelo som oitentista que os medalhões do prog praticaram naquela época. A belíssima balada “Their Names Escape Me” (uma certa semelhança com músicas do Zé Ramalho, não?) traz também um ótimo jogo de vozes, bem operístico, ao contrário de “The Man Behind The Curtain”, uma música que soa até meio confusa a primeira ouvida, mas que não deve em nada para as outras canções do disco. A bela suíte “Jaws Of Heaven” fecha o álbum (que tem 8 músicas e 79 minutos de duração, nada mal, heim?), trazendo até uma certa influência de Iron Maiden (pós volta de Bruce Dickinson) e Yes, criando uma identidade própria tão forte (graças a voz de Nick D’Virgilio, principalmente), que faz desta uma das melhores canções do Spock’s Beard.

As vezes eu me pergunto o que falta para uma banda do calibre do Spock’s Beard atingir uma fatia do público que bandas como Dream Theater tem. Qualidade há de sobra, comprovado pelos 10 anos de experiência. Sorte? Talvez… pois infelizmente a “falta de sucesso” é um dos principais fatores que levam uma banda a se perder no caminho ou até mesmo encerrar as suas atividades. E com certeza não é isso que uma banda talentosa como essa merece.

01. Edge of the In-Between
02 . The Emperor’s Clothes
03. Kamikaze
04. From the Darkness (I. The Darkness / II. Chance Meeting / III. On My Own / IV. Start Over Again)
05. The Quiet House
06. Their Names Escape Me
07. The Man Behind the Curtain
08. Jaws of Heaven” (I. Homesick for the Ashes / II. Words of War / III. Deep in the Wondering / IV. Whole Again)

Nick D’Virgilio – Vocals, Drums
Alan Morse – Guitars
Ryo Okumoto – Keyboards
Dave Meros – Bass

Nota 9

Bons sonhos

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