Surgida em 1990, o Torture Squad se tornou um dos grandes nomes da música extrema brasileira, ao lado de bandas como Andralls, Claustrophobia e outros da leva de bandas de Thrash/Death pós anos 90, principalmente na cidade de São Paulo e no sul do país. O highlight da banda ocorreu no ano de 2007, com a vitória do Wacken Metal Battle, o que lhes rendeu um contrato com a gravadora Armageddon Music, e a participação no festival alemão do ano seguinte.

Contando hoje na sua formação com os integrantes Vitor Rodrigues (vocal), Augusto Lopes (guitarra), Castor (baixo) e Amílcar Cristófaro (bateria), o Torture Squad manteve-se como o principal expoente em atividade e uma das mais consagradas bandas no exterior, principalmente após o lançamento dos álbuns “Hellbound” (2008), o que alavancou uma turnê em conjunto com Exodus e Overkill pela Europa.

“Æquilibrium” éo  sexto álbum da banda e foi produzido por eles mesmo em conjunto com Brendan Duffey e Adriano Daga no Estúdio Norcal, em São Paulo, e lançado no dia 20 de agosto via Wacken Records (lá fora) e Voice Music.

A soturna e cadenciada “Generation Dead” abre o álbum de uma forma um tanto quanto diferente, menos estúpida na velocidade (como nos álbuns anteriores) e mais pesada, mas que, a primeira impressão, parece faltar um pouco de punch na execução, talvez pelo volume dos instrumentos, claramente mais baixos que o vocal. O refrão, porém, é um dos mais grudentos no estilo “raise-your-fist-in-the-air” e um dos melhores desde “Pandemonium”. “Raise Your Horns” em seguida também começa de forma cadenciada (mas um ritmo perfeito para um headbanging sincronizado), e o que a torna interessante, é que ela parece reunir em uma só música influência de diversas bandas: algumas partes lembram Metallica, outras Slayer, outras Pantera e até mesmo Destruction, algo que se prossegue na bem old-skull (porque assim é mais true) “Holiday In Abu Ghraib”, com direito a blast-beats e um Vitor Rodrigues soando como Tom Angelripper. A música “174” lembra novamente o Destruction, com uma letra bem politizada sobre o Rio de Janeiro e algo que chama a atenção é o seguinte: muitas bandas de Thrash Metal cantam sobre realidades apocalípticas, anarquias e tal, e essa música canta sobre tudo isso, mas que infelizmente é a realidade do nosso país.

“Storms”, em seguida traz um dos melhores riffs de Augusto Lopes e apresenta uma variação fora do comum ao longo dos seus mais de 6 minutos, tendência, aliás que se segue por todo o álbum, com músicas diretas, mas que permeiam os 5, 6 minutos, principalmente pelo flerte com o Heavy Metal mais tradicional, em algumas delas, enquanto “Azazel” traz um boa dose de Death Metal, principalmente pelos vocais mais guturais e vomitados. “Black Sun”, por sua vez, resgata o espírito Thrasher oitentista, mas agregando passagens um pouco mais soturnas e cadenciadas, mas que pecam um pouco na melodia vocal. “The Spirit Never Dies” a longa canção que fecha o álbum (na prática, claro), começa com um arranjo blueseiro, como se algum sujeito estivesse no meio do Texas em uma tarde de vento, que descamba em uma boa dose de Thrash Metal misturado com Heavy Metal e diversas mudanças de andamento (inclusive com solos “maidenianos”). Um pequeno poslúdio “Last Tunes Blues” vem em seguida, com uma curtíssima linha de Blues, que, vamos e venhamos, não vejo sentido. Como bônus dessa versão, uma regravação de “The Unholy Spell”, faixa título do segundo álbum da banda (de 2001), traz o Torture Squad que as pessoas esperavam em “Æquilibrium”: rápido, pesado, direto e vomitando em nossos ouvidos toda a técnica deles.

Não podemos negar que “Æquilibrium” traz sentimentos adversos: por um lado, as músicas cadenciadas parecem ter sido uma ótima idéia para diversificar o som da banda, porém, parece que faltou um pouco de força em alguns arranjos, para tornar o som um pouco mais pesado e sujo, pois ficou tão cristalino que um pouco da essência se perdeu no caminho. Talvez esses detalhes podem ser acertados nos próximos trabalhos, pois a idéia foi boa, mas a produção parece não ter ajudado muito.

01. Generation Dead
02. Raise Your Horns
03. Holiday In Abu Ghraib
04. 174
05. Storms
06. Azazel
07. Black Sun
08. The Spirit Never Dies
09. Last Tunes Blues
10. The Unholy Spell 2010

Vítor Rodrigues – Vocal
Augusto Lopes – Guitar
Castor – Bass
Amílcar Christófaro – Drums

Nota 7

Bons sonhos

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