Uma das mais diferenciadas bandas que o Power Metal viu surgir nos últimos anos, os suecos do Sabaton conseguiram notável destaque no cenário com o lançamento do seu álbum “Primo Victoria”, em 2005, inicialmente de forma independente, mas que atraiu a atenção de inúmeras gravadoras ao redor do mundo, atraídos pelo Heavy Metal pesado e épico, com músicas sobre guerras e o poderoso vocal de Joakim Brodén. Até aí parece o que muitas bandas fizeram, fazem e vão fazer, certo? A diferença é que as guerras e os temas abordados geralmente são os conflitos “modernos”, afastando-se da clichê Idade Média e trazendo os conceitos mais para a “atualidade”. Além disso, os vocais de Brodén, não seguem a linha berro-agudo-castrati-falsete, mas sim tem um tom grave, com ótimas melodias, sem chegar no gutural.

Após a consolidação no meio Metal, com os lançamentos dos álbuns “Aterro Dominatus”, “Metalizer” (que na realidade é o primeiro), e o conceitual “The Art Of War”, baseado no livro homônimo de Sun Tzu, e inúmeras turnês mundiais, a banda volta ao Abyss Studios, novamente sob a tutela do gênio maluco e com cara de psicótico Peter Tägtgren, para produzir o novo álbum, intitulado “Coat Of Arms”.

E a faixa título abre o trabalho com o já clássico acorde de teclado, perfeito para o massacre épico sonoro que vem em seguida, tratando de dois temas distintos em uma mesma música: a guerra Greco-Italiana, na 2ª Guerra Mundial e a Batalha de Thermopylae (em 480 a.C.). “Midway” dá continuidade às músicas velozes, diretas, pesadas e com melodias cortantes, empolgadas pelo vocal singular de Joakim Brodén, enquanto “Uprising” é aquela típica música cadenciada, levada no baixo e no teclado, mais harmoniosa e com cara de single, oferecendo uma gama de opções de interpretação. Em seguida, “Screaming Eagles” é uma das mais pegajosas e rápidas dos caras to date: tente tirar os gritos de ALONE! depois de ouvir a música. A dramática “The Final Solution”, com sua letra sobre o Holocausto é quase uma balada perto da quase operística e Thrashy (ao mesmo tempo) “Aces In Exile”, com sopros de Iced Earth aí.

“Saboteurs” traz um que de Heavy Metal tradicional oitentista, com aqueles riffs marcantes e um refrão para ser cantado à plenos pulmões nas apresentações ao vivo, graças ao ótimo trabalho dos backing vocals. A próxima música, “Wehrmacht” me incomodou pelo fato de lembrar o início de “Angels & Demons”, faixa de abertura do álbum “Seven Seals”, da banda Primal Fear. O restante da música, porém, parece o Sabaton experimentando sonoridades um pouco mais ambientes (graças ao ótimo trabalho de teclados de Daniel Mÿhr, algo que fica mais claro ainda na pedrada “White Death” e a sua rifferama despejada sobre o ouvinte, trazendo uma epicidade incrível, a maior característica do Sabaton. Como de praxe, a música tributo aos grandes clássicos do Heavy Metal vem dessa vez sob a forma de “Metal Ripper”. É legal ficar tentando identificar os trechos e os títulos de outras bandas, mas musicalmente falando ela é bem chatinha, ficando muuuuuuito atrás de “Metal Machine” e “Metal Crüe”, dos álbuns anteriores.

O Sabaton é uma banda única no Power Metal: tratar de assuntos mais atuais, um sentimento épico diferente do encontrado por aí geralmente, com influências que não se limitam, torna-os um dos maiores nomes do cenário musical. É uma daquelas bandas que com pouco tempo de estrada não precisa provar mais nada para ninguém.

01. Coat Of Arms
02. Midway
03. Uprising
04. Screaming Eagles
05. The Final Solution
06. Aces In Exile
07. Saboteurs
08. Wehrmacht
09. White Death
10. Metal Ripper

Line-up:
Joakim Brodén – Vocal
Rickard Sundén – Guitars
Oskar Montelius – Guitars
Pär Sundström – Bass
Daniel Mullback – Drums
Daniel Mÿhr – Keyboards

Nota 8

Bons sonhos

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