Os californianos do Avenged Sevenfold iniciaram a sua carreira em 1999 e debutaram dois anos mais tarde com o álbum “Sounding The Seventh Trumpet”, ainda bem calcado no Metalcore americano, emergente naquela época. A banda formada pelos jocosos e quase-tão-tatuados-quanto-Bill-Clinton M. Shadows, Synyster Gates, Zachy Vengeance e Johnny Christ, além do falecido baterista The Rev, tiveram uma ascensão musical praticamente meteórica durante a década de 2000, em parte por concentrar a sua criatividade na música e não nos apelidos.

Ao longo destes 11 anos, a banda lançou os aclamados “Waking The Fallen”, “City Of Evil” e o auto-intitulado, assinando com uma grande gravadora e moldando o seu som com o passar do tempo, cada vez mais se desprendendo do Metalcore do início da carreira, e evoluindo gradativamente para um som mais mainstream, com influências do Hard Rock e Heavy Metal, representando o que seria o chamado “New Wave Of American Heavy Metal”.

Em dezembro de 2009, porém, o baterista James Sullivan, mais conhecido como “The Rev”, morreu em virtude do consumo em excesso de uma mistura de várias drogas e remédios. Por outro lado, o músico deixou o seu legado, visto que muitas das composições tem sua participação, e todo o clima sombrio e até mesmo melancólico do álbum parece um reflexo do que viria acontecer com a banda.

Produzido por Mike Elizondo, “Nightmare” é o quinto e mais soft álbum da carreira do Avenged Sevenfold, com participação de Mike Portnoy (sim, ele mesmo!) gravando todas as faixas de bateria e excursionando durante o ano de 2010. Segundo a banda, o Dream Theater é uma influência tanto de Rev quanto do restante da banda, algo que pode até chocar algumas pessoas. E ainda mais quando o baixista Johnny Christ disse que o objetivo da banda era criar um álbum com ênfase nas letras tristes e mais profundas, de uma forma sombria, basicamente na tentativa de ter um conceito, como os álbuns “The Wall” e “Operation: Mindcrime”. Quem diria, heim? Nada mal para um álbum que desbancou o rapper Eminem no 1º lugar das paradas americanas. As inúmeras críticas sobre o álbum no período de seu lançamento classificavam-no como o melhor álbum da banda até agora, algo que mudaria o seu conceito, uma nova face do heavy Metal americano, a superação e dezenas de outras coisas. Mas enfim, vamos com calma…

“Nightmare” abre o álbum e é a música do primeiro vídeo über produzido da banda. Nada mais natural, se considerarmos que a música é a cara do Avenged Sevenfold e muito boa por sinal. “Welcome To The Family” segue também a linha que a banda vem fazendo desde o álbum “City Of Evil”: músicas pesadas, licks de guitarra e refrão melódico, com toques de Metal tradicional e Hard Rock aqui e acolá, a exemplo de “Danger Line” e o seu começo “épico”, que descamba para uma música bem quebrada e um refrão incrível. Fica perceptível também que apesar de manter uma sonoridade bem linear, a banda está explorando diversos caminhos estruturais e diversas mudanças de andamento, o que enriquece em muito as músicas, tornando as longas faixas uma audição bem interessante. Em seguida, “Buried Alive” é a primeira (das muitas) baladas do álbum, seguindo o esquemão Power-ballad, é bem básica e standard, pelo menos até o começo da segunda parte da música, com virtuosos solos de guitarra, e riffs que gritam “ORION” (se você não sabe, a instrumental do Metallica), inclusive com M. Shadows cantando bem semelhante a James Hetfield.

“Natural Born Killer” dá continuidade às pedradas (calcule), com direito a, PASMEM, blastbeats. Sim, isso mesmo… BLASTBEATS, no começo da música. O que mais chama atenção são as linhas de baixo tomando a frente e o refrão cheio de feeling, que continua na próxima balada “So Far Away”, que lembra em muito “Seize the Day”, também do Avenged, mas com um refrão 18 vezes mais carregado de emoção e uma letra bem legal, totalmente o oposto da “brutalidade” de “God Hates Us”, que engana com o seu belo começo a lá “One”, mas se revela uma música destruidora, com riffs Thrash, e uma boa dose de Pantera e Slipknot em certos momentos, gritantes. A oitava música, “Victim” dá início a sequencia de baladas que fecham o disco e que a primeira audição são bem cansativas. Porém, depois de certo tempo, detalhes vem a tona e fica cada vez mais interessante. “Victim”, por exemplo, tem sopros de Rock Progressivo setentista, com um começo que lembra “The Great Gig In The Sky” na lata, enquanto “Tonight The World Dies” tem um quê de Southern Rock e baladas Country, além do refrão extremamente poderoso. Em seguida, “Fiction” é a mais soturna, guiada por um piano que pode dar nervoso, com um ritmo bem esquisito, mas se torna histórica por ter a última participação de The Ver, nos backing vocals. O álbum fecha com “Save Me”, a música mais longa, com seus quase 11 minutos, recheado de passagens épicas e melodias interessantes, que vão do Hard Rock ao Thrash Metal, passando pelo Heavy Metal e o Power Metal, um resultado ótimo.

Apesar de toda a tragédia envolvendo a criação deste trabalho, “Nightmare” fica lado a lado com o álbum “Avenged Sevenfold” como melhor disco da banda, carregado de sentimentos obscuros, mas que acabam trabalhando a favor da criação. Um grande passo para a banda, que conseguiu se superar e seguir em frente.

01. Nightmare
02. Welcome To The Family
03. Danger Line
04. Buried Alive
05. Natural Born Killer
06. So Far Away
07. God Hates Us
08. Victim
09. Tonight The World Dies
10. Fiction
11. Save Me

Line-up:
M. Shadows – Vocals
Synyster Gates – Lead Guitar
Zacky Vengeance – Rhythm Guitar
Johnny Christ – Bass

Mike Portnoy – Drums (Special guest)

Nota 10

Bons pesadelos

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