Na última sexta-feira 27/08, ocorreu no Plaza Hall, em Sorocaba um histórico encontro entre três das maiores bandas brasileiras: o Hard Rock despojado e técnico do Dr Sin, o Prog Metal pesadíssimo do Hangar e, para fechar a noite com chave de outro, André Matos com a sua banda solo, além de outras três bandas locais de abertura. Programado para começar as 21:00, cheguei por volta das 23:00 no local, onde uma fila imensa de fãs que dobrava a esquina ainda esperava para entrar (sim, estávamos como imprensa, mas aguardamos na fila pacientemente por aproximadamente 20 minutos). Ao entrar na casa, a equipe do Dr Sin já estava montando o equipamento, ou seja, perdemos todas as bandas de abertura, então, vejam no final do artigo links para conferir o trabalho delas. Como ainda faltava um tempo até a banda subir ao palco, aproveitamos para procurar o representante da Tigre Eventos e Produções, responsável pela organização do evento, para pegarmos nossos crachás de identificação. E aí que começa o pesadelo.

Encontramos o nosso contato logo na entrada da casa e depois de um tempo de conversa, descobrimos que os crachás de identificação eram da casa de show, e não da organização, de forma que deveríamos falar com outra pessoa. Bem, chegando no bar, procuramos a responsável e tivemos a singela surpresa que todos as identificações já haviam acabado. Espantosamente, algumas outras mídias que chegaram DEPOIS que a gente,, estavam desfilando pela casa com IDs e tendo acesso para dentro do palco. Mistério. Mas no fim das contas, recebemos pulseirinhas do camarote, o que ajudou em partes. Em todo caso, vamos ao que interessa que são os shows.

O Dr Sin subiu ao palco logo depois da 00:30, ovacionado pelo público com um set-list extremamente equilibrado e a performance impecável (nada menos do que é de se esperar), a banda tocou clássico atrás de clássico, como “Fire”, “Miracle”, “Emotional Catastrophe” e “Revolution”. A ótima cover de “Have You Ever Seen The Rain” encerrou a primeira parte do show, e as homenagens continuaram no bis com o medley de Jump/Perfect Strangers/You Really Got Me, com um Ivan Busic empolgadíssimo nos vocais (o seu roadie toco na bateria). Evidentemente, o show terminou com o absoluto clássico “Futebol, Mulher e Rock’n Roll”, fechando muito bem uma apresentação dinâmica, com grande interação com o público e uma execução perfeita. Logo depois, a banda ficou em uma área reservada onde os fãs puderam conversar, tirar umas fotos e comprar os CDs.

Cerca de uma hora depois do término do Dr Sin, a equipe do Hangar finalmente conseguiu montar todos os seus equipamentos e preparar a entrada da banda. O som me pareceu meio desregulado no começo (os instrumentos pareciam inacreditavelmente saturados, rachando tudo) e a bateria permaneceu com um volume alto durante toda a apresentação. Por outro lado, todos esses problemas técnicos foram esquecidos ao presenciar a vontade de tocar da banda, principalmente no vocalista Humberto Sobrinho (do Glory Opera) e no grande tecladista Fábio Laguna. Grandes músicas representando toda a discografia da banda esmigalharam nossos ouvidos (no bom sentido), com algumas surpresas legais como a homenagem a Ronnie James Dio e ao Metallica, tocando “Rainbow In The Dark” e “Master Of Puppets”, que fechou a apresentação. Pude perceber que boa parte do público não estava tão familiarizado assim com todo o set da banda, mas isso não atrapalhou em nada a sua participação nas músicas. Eram quase 4 horas da manhã quando a banda se despediu de Sorocaba, e infelizmente não teve tempo para ficar um pouco ali com os fãs, tirar fotos e tal (inclusive, na hora que os roadies estavam carregando o ônibus “Infallibus” todo tematizado, nós nem podíamos sair de dentro da casa de show).

Por volta das 5 horas da manhã, momento em que dezenas de pessoas já estavam jogadas pela pista e não era incomum ver outras dormindo no camarote, a música de introdução começa a tocar com um belo jogo de luzes e um a um, Hugo Mariutti (com seu novo penteado), André Hernandes (muitíssimo parecido com uma mistura de James LaBrie e Jon Schaffer), Fábio Ribeiro, Eloy Casagrande e o baixista que até agora não descobri quem é, algo que me surpreendeu muito, pois eu não sabia que o outro irmão Mariutti não estava tocando com a banda. As músicas da carreira solo entonaram o início da apresentação, com ênfase no último trabalho “Mentalize”, porém o mundo veio realmente abaixo com “Fairy Tale” e o medley do Viper (particularmente o momento que eu mais esperava). O show seguiu até as 6:30 com “Lettin go”, “How Long”, o clássico “Lisbon” e a inesperada “Holy Land” até o final apoteótico com “Carry On”. Quem agüentou ficar de pé, André Matos e a banda apareceram depois para tirar fotos com os fãs um pouco antes das OITO HORAS DA MANHÃ. Realmente, é só para fãs…

Quanto à apresentação das bandas, nem são necessários comentários: perfeitas na execução (apesar do volume exageradíssimo em alguns momentos) e grande interação com o público, principalmente depois do show, em que ninguém ficou sem o seu autógrafo ou a sua foto. A organização, por outro lado, me pareceu meio falha em alguns aspectos: não conseguimos acesso que geralmente a imprensa tem (não só o Progcast, todo mundo que estava lá), incluindo a área entre a grade e o palco, que o segurança barrou todo e qualquer um que tentou acesso, mesmo com identificação. Além disso, o atraso gigantesco do evento é algo que infelizmente já estamos acostumados a enfrentar por aqui, e sempre muitos fãs acabam perdendo shows (um desrespeito inacreditável, afinal, todos pagaram pelo ingresso) por causa do horário que se prolonga até de manhã. Ou seja, é ruim para os fãs, para as bandas e até para quem mora por ali. Mais uma coisa, ok, a iniciativa na minha opinião é algo inédito e admirável pro parte da produção do evento: reunir 3 grandes bandas brasileiras, cobrando um preço justo (com certeza ficaram no prejuízo) e ainda deram a oportunidade para 3 bandas locais divulgarem o seu trabalho. Ok, tudo bonito e tudo lindo, mas nem tanto. 6 bandas, começando as 21:00 extrapolam qualquer lógica de organização de horários.

Como eu disse, em todo caso, provavelmente foi o maior show de Heavy Metal que Sorocaba já presenciou, uma verdadeira celebração à arte, mas infelizmente, com todos os problemas que ainda temos que enfrentar.

Fotos by Progcast e Regiane Avena =D

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Bons sonhos.

 

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