Aviso: review isento de imparcialidade.

Blind Guardian. Praticamente não há o que se falar deles. Um dos ícones do Power Metal e uma das mais bem sucedidas e cultuadas bandas de Heavy Metal da história, o grupo alemão formado por Hansi Kürsch, André Olbrich, Marcus Siepen e Frederik Ehmke tem uma das discografias mais constantes em qualidade que já se viu, desde os trabalhos iniciais mais voltados para o Speed Metal até as megalomaníacas obras orquestrais e operísticas atuais.

Quatro anos depois do lançamento do meio controverso “A Twist In The Myth”, os “bardos” liberam o seu 9º full length de estúdio e demonstram uma progressiva evolução dos trabalhos extremamente épicos iniciados no clássico indubitável e conceitual “Nightfall In Middle-Earth”. Novamente sob a tutela do produtor Charlie Bauerfeind e acompanhado de seus fiéis escudeiros Oliver Holzwarth (baixo) e Matthias Ulmer (teclados e orquestrações), além de uma equipe responsável pelos (infinitos) coros ao longo do álbum. Aliás, toda a complexidade expressa em cada uma das músicas justifica o árduo trabalho de gravação e produção que ocorreu: os instrumentos da banda em si ocorreram no lendário “Twilight Hall Studios” entre, pasmem, novembro de 2007 e abril de 2010, enquanto que apenas os arranjos orquestrais (executados pela Orquestra Filarmônica de Praga, vejam só vocês) duraram SEIS meses.

A épica e com uma cara de soundtrack (e velha conhecida dos jogadores de RPG) “Sacred Worlds” abre o álbum, com toda a sua grandiosidade orquestral, mas sem cair para o enjoativo (certo, Rhapsody?). Quanto a banda em si entra na música, lampejos de “Nightfall In Middle-Earth” podem ser sentidos aqui e acolá e, por alguma razão, uma coisa que me incomodou em “A Twist In The Myth” voltou a assombrar o novo álbum: o volume da bateria (assim como o seu timbre) está inacreditavelmente baixo em relação aos outros instrumentos (a voz, principalmente), ainda mais se compararmos com “A Night At The Opera” (melhor desempenho de Thomen EVER, na minha opinião). Em todo caso, é uma questão de costume, até mesmo porque a faixa já pode ser considerada um grande clássico com o seu refrão no melhor estilo “raise your fists in the air!”. “Tanelorn (Into The Void)” vem em seguida e, por diversas razões remete à sonoridade do álbum “Somewhere Far Beyond” (e pela letra também, oras), mais rápida e até mesmo soturna, bem diferente de “Road Of No Release”, com a sua cara operística, mais cadenciada, onde cada personagem tem a sua própria passagem instrumental (genial, no mínimo).

Vou abrir um parágrafo único aqui para a quarta música: “Ride Into Obsession” é a música que esperávamos desde “Mirror Mirror”, rápida, pesada, épica e honrada, com um dos melhores chorus de todos os tempos (e tratando-se de Blind Guardian, isso é REALMENTE algo). Praticamente para esmigalhar aqueles que achavam que os alemães estavam ficando cada vez mais progressivos e menos Metal. Essa é uma daquelas músicas que eu ouvi o sample no site oficial, cerca de um mês atrás, e um sorriso de orelha a orelha apareceu no meu rosto. Sim, ali estava mais clássico.

“Curse My Name”, em seguida, é uma balada medieval (com direito a flautas e diversos outros instrumentos) nos moldes de “Skalds and Shadows”, porém com um clima festivo bem mais latente e agradável, resgatando bem o clima “todos dançando e bebendo ao redor da fogueira”, apesar de a letra não ser tão feliz assim. “Valkyries” é mais uma daquelas músicas atemporais: complexa, cheia de variações e de difícil assimilação, se desenvolvendo como uma história própria, dando continuidade à veia mais progressiva e épica da música anterior. Aliás, tente tirar da cabeça o comecinho depois de ouvi-la… “To the gods of the North I pray”. A próxima música “Control The Divine” poderia muito bem ter estado no álbum “A Night At The Opera”, tamanha a quantidade de camadas de vozes e resgata um pouco da sonoridade mais pesada e cadenciada daquele álbum. “War Of The Thrones” já havia sido lançada no single “A Voice In The Dark”, porém em uma versão bem diferente da presente no álbum, e sinceramente, não sei qual das duas é melhor. Assim como “Curse My Name”, também é uma balada medieval, e ao mesmo tempo são bem diferentes entre si, até mesmo porque a performance de Hansi nessa música é uma de suas melhores nos últimos anos. Em seguida, o próprio single “A Voice In The Dark”, uma óbvia irmã mais nova de “Valhalla” (começo igualzinho!) e a exemplo de “Ride Into Obsession”, segue a linha Speed Metal. Por mais bizarro que seja, é a mais pesada que foi escolhida para ser o single e para ser o mega-produzido (com suas devidas limitações, claro) vídeo do álbum. Praticamente não tem o que dizer sobre ela, além de que será um dos pontos altos das apresentações ao vivo da banda. Ritmos provindos do Oriente Médio entoam “Wheel Of Time”, a música épica escolhida para fechar o álbum, escolha mais do que acertada, afinal, os seus 9 minutos de música, com a orquestra tomando a frente e atuando como personagem principal junto com a voz de Hansi. Uma combinação mais do que perfeita entre Power Metal e arranjos clássicos.

Me faltam palavras. Uma das minhas 5 bandas favoritas lançando um cd incrível como “At The Edge Of Time”. Simplesmente isso: quase 25 anos de carreira, e ainda tem muito a ensinar para as bandas novas.

01. Sacred Worlds
02. Tanelorn (Into The Void)
03. Road Of No Release
04. Ride Into Obsession
05. Curse My Name
06. Valkyries
07. Control The Divine
08. War Of The Thrones
09. A Voice In The Dark
10. Wheel Of Time

Nota 10

Bons sonhos

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