Inicialmente um projeto paralelo de Ville Laihiala, então vocalista do saudoso Sentenced, o Poisonblack se tornou a banda principal após o fim da outra, dando continuidade ao Gothic metal tipicamente finlandês, com sua sonoridade única e incansavelmente imitada ao longo dos anos. A banda consta em sua discografia com os álbuns “Escapexstacy” (ainda com Juha-pekka Leppäluoto, do Charon, nos vocais), o ótimo “Lust Stained Despair” e o controverso “A Dead Heavy Day”, um álbum um tanto quanto perdido, buscando uma sonoridade diferente dos dois primeiros trabalhos, porém no lugar errado.

“Of Rust And Bones”, então, o quarto álbum é uma tentativa do Poisonblack se reerguer, se recriar e gradativamente se afastar do título de banda do ex-vocalista do Sentenced (isso vai ser difícil), e novamente, Laihiala arrisca em sutis experimentalismos, mas presentes na audição geral do álbum. Lançado em 17 de março, o álbum mantém  o pé cravado no Gothic que o Sentenced tanto praticou, mas com alguns flertes que vão do New Metal ao Prog Metal.

“My Sun Shines Black” abre o disco com um riff tipicamente Poisonblack, assim como em outros clássicos da banda, uma música melódica, pesada e cadenciada, guiado pelos ótimos vocais de Ville (o sujeito ainda sabe o que fazer). Aliás, duas gratas surpresas nesse álbum: a bateria e a ausência de solos nos álbuns anteriores, fonte de severas críticas por parte de muita gente parece ter evaporado aqui. As linhas de bateria estão saindo do básico (uns pratos quase Hellfueled, barulheira infernal), assim como diversos solos, licks de guitarra e passagens bem elaboradas estão presentes não apenas nessa mas em todo o álbum. A segunda música “Leech” é um flerte de Gothic com Hard Rock e, porque não, um que de Metal Alternativo, lembrando um The 69 Eyes até, um pouco mais sacana, enquanto “My World” é uma balada que flerta novamente com o gótico mas sem um real atrativo, sendo bem sem graça no fim das contas. “Buried Alive” vem em seguida e remete aos álbuns do Sentenced do final dos anos 90, como “Frozen” ou “Crimson”, tendo um bom resultado e riffs cadenciados de primeira, incluindo um solo bem legal de guitarra. Ok, essa primeira parte do álbum traz praticamente nada de novo ou diferente do que eles já tenham feito, e é exatamente com “Invisible” que as coisas começam a ficar mais interessantes…

Com seus 8 minutos de duração (maior que as músicas do Sentenced, inclusive), a balada nos remete ao clima gélido e melancólico que Laihiala sempre fez na sua antiga banda, com melodias belíssimas e a melhor performance do vocalista desde “The Funeral Album”, assim como os solos de guitarra que encerram a música trazem um clima nostálgico impressionante. Sim, a música tem muito de Sentenced, mas feito de uma forma diferente, e isso é o mais admirável. A pesadíssima “Casket Case” dá continuidade ao álbum, e com certeza é séria candidata a clássico da banda, com sua melodia forte , lembrando em alguns momentos a banda sueca Avatar (quem não conhece, fica aí a dica), com riffs pesados, quase Thrash e ótimos licks de guitarra, praticamente o oposto da atmosférica “Down The Drain”. Nessa música é quase como se o Gothic Metal se encontrasse com boas doses de Blues, Jazz e Pop em um porão escuro para fazer uma Jam em uma noite fria de inverno. Guiada pelo piano e pelas esquisitíssimas linhas de guitarra, os 8 minutos (quem diria, outra música chicante) são quase perturbadores para quem esperava um trabalho mais básico, afinal de contas, tem até um solo de Hammond. SIM, um solo de HAMMOND! Bem curto, mas está ali. Em seguida, “Alone”, outra música com cara de balada, novamente com nuances atmosféricas, mas que infelizmente não empolgam no resultado final. A última música “The Last Song” (dãr…) é mais uma grata surpresa: mais uma música “grande”, com seus mais de 7 minutos, porém, novamente é uma balada, o que faz desse álbum uma audição extremamente pesarosa para alguns, até mesmo porque nem todas tem um resultado exatamente satisfatório. Em todo caso, “The Last Song” vale pelo interessantíssimo solo de Hammond, que dá passagem para um ótimo riff instrumental que muda completamente a música até o seu fim.

Cá entre nós, se o resultado de “A Dead Heavy Day” não foi dos mais satisfatórios, “Of Rust And Bones” é um tanto quanto confuso. O Poisonblack está tentando achar o seu próprio caminho, isso é fato inegável, mas parece não ter acertado seus passos ainda. O clima melancólico do álbum talvez tenha muito a ver com a morte de Miika Tenkula em fevereiro do ano passado, mas, todo esse tempo deveria ter sido suficiente para se reerguer. A sensação que fica é que “Of Rust And Bones” é um álbum de transição, e a concretização do trabalho deverá ocorrer nos próximos álbuns. Então, ficamos no aguardo.

01. My Sun Shines Black
02. Leech
03. My World
04. Buried Alive
05. Invisible
06. Casket Case
07. Down The Drain
08. Alone
09. The Last Song

Nota 7

Bons sonhos

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