Uma daquelas típicas bandas que somente o underground europeu pode nos oferecer, o Mekong Delta é uma banda na ativa desde 1985, completando aí já 25 anos na dura batalha que é viver de música. Com nove álbuns no currículo, além de já ter contado no seu line-up com alguns dos mais famosos músicos do cenário alemão (Peavy Wagner, do Rage, por exemplo, escreveu as letras dos dois primeiros álbuns… aliás, estou devendo o review do último deles ainda), o Mekong Delta nunca atingiu um sucesso alto em comparação às outras bandas da época, como Destruction, Sodom, Grave Digger, Running Wild e até o próprio Rage.

Talvez isso seja explicável pelo fato de a banda praticar uma sonoridade nada convencional: a mistura de riffs e toda a agressividade do Thrash Metal com experimentalismos clássicos, passagens acústicas ou com piano, o que com certeza pode torcer o nariz de muita gente. Qualquer trabalho da banda porém, soa tão progressivo e natural, que é impossível não ficar de queixo caído com as inúmeras partes e elementos inesperados durante a audição do trabalho.

Contando apenas com Ralph Hubert  da formação original, “Wanderer On The Edge Of Time” talvez seja o mais ambicioso dos álbuns do Mekong Delta (mesmo depois da versão Thrasher de “Pictures At An Exhibition”), resultando em um disco de difícil assimilação no começo, vários interlúdios e uma estrutura que se assemelha às grandes peças clássicas.

“Intro – Concert Guitar” abre o álbum (der…) com dedilhados quase Rhapsodianos, dando passagem para “Ouverture”, uma curta passagem bem Metal, para derrubar qualquer um que estivesse hipnotizado com a calmaria da introdução. “”A Certain fool (Le Fou) // Movement 1” é a primeira música propriamente dita, com os belos vocais de Martin Lemar, uma música melódica e cadenciada, lembrando os melhores momentos “Lingua Mortis” do Rage. A thrasher curtíssima “Interlude 1 – Group” serve de introdução para a intrincada “The 5th Element (Le Bateleur) // Movement 2”, com suas infinitas camadas de instrumentos que acabam soando até um tanto quanto cacofônicos, acompanhado de guitarras acústicas em meio aos riffs Thrash a lá anos 90. “The Apocalypt – World In Shards (La Maison Dieu) // Movement 3” vem logo após o Segundo interlúdio e se mostra bem agressiva, calcada nas veias Thrash da banda, com um ótimo acompanhamento de orquestra, lembrando um pouco as bandas mais pesadas do Power Metal em alguns momentos. “Interlude 3 – Concert Guitar” tem um toqueo meio Axel Rudi Pell e provavelmente é uma das mais belas canções do álbum, um contraste com a arrastada e pesada “King With Broken Crown (Le Diable) // Movement 4”, que se assemelha em muito com o Symphony X do álbum “V”.

Em seguida, “Intermezzo // Movement 5” é uma daquelas típicas instrumentais nos álbuns de Prog Metal, com riffs bem sacados e repetitivos, sobre melodias intrincadas, assim como “Interlude 4”, um pouco mais pesada e agressiva (realmente, nada mal para uma música bem curta), com um trabalho de baixo impecável. “Affection (L’Amoureux) // Movement 6” pode ser considerada a… balada romântica do álbum, e ela de fato tem uma melodia bem interessante, principalmente o som do violão, extremamente metálico, quase artificial. Depois de “Interlude 5”, “Mistaken Truth (Le Heretique) // Movement 7” é a última música real do álbum, com seus riffs que parecem uma ótima mistura de Thrash Metal, Power Metal (dos anos 90!) e Heavy Metal tradicional, deixando meio que de lado a veia mais clássica e experimental. A caótica “Finale” (nada mais apropriado) encerra essa confusa obra.

“Wanderer On The Edge Of Time” não é um album fácil. Muito pelo contrário, chega a ser difícil ouvi-lo, e ainda mais gostar logo de cara. São inúmeros detalhes, e, a divisão estrutral do álbum não ajuda em muita coisa. A produção não ficou tão acertada assim no que diz respeito ao volume do violão e da bateria (parecem excessivamente alto em determinadas partes). Apesar de tudo, é um grande trabalho, de uma banda que preferiu o experimentalismo a fama, e as características de sua música talvez expliquem porque ela nunca atingiu o grande público. Mas vale (e muito) a pena, ouvir com atenção.

01. Intro – Concert Guitar
02. Ouverture
03. “A Certain Fool” [Le Fou] // Movement 1
04. Interlude 1 – Group
05. “The 5th Element” [Le Bateleur] // Movement 2
06. Interlude 2 – Group
07. “The Apocalypt – World In Shards” [La Maison Dieu] // Movement 3
08. Interlude 3 – Concert Guitar
09. “King With Broken Crown” [Le Diable] // Movement 4
10. Intermezzo // Movement 5
11. Interlude 4 – Group
12. “Affection” [L’Amoureux] // Movement 6
13. Interlude 5 – Group
14. “Mistaken Truth” [Le Hérétique] // Movement 7
15. Finale

Nota 7

Bons sonhos

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