Oriunda de Nova Iorque, o Overkill forma com Slayer, Metallica, Exodus e Anthrax o início do movimento Thrash Metal na década de 80. Na atividade desde 1980, é uma das mais sucedidas bandas da chamada Costa Leste, mantendo até hoje dois dos membros do line-up original: o vocalista Bobby “Blitz” Ellsworth e o baixista D. D. Verni, mesmo que sofrendo com inúmeras mudanças ao longo destes 30 anos, com 15 álbuns de estúdio, dois ao vivo e um inteiramente só de cover.

Desde os primeiros embriões da banda, a principal característica do som era a sonoridade mais voltada para a sujeira Punk (isso não foi pejorativo) e para o Rock’n’Roll propriamente dito, como uma mescla violente entre Judas Priest e Motörhead (daí a origem do nome da banda), de forma que o seu som vem evoluindo gradativa e sutilmente por toda a carreira, mas mantendo os pés nas raízes. Tanto o mezzo-tosco debut “Fell The Fire” (considerada uma masterpiece Thrash), “Taking Over”, até os mais recentes “ReliXIV” e “Immortalis” apresentam essas características, mas moldadas e adaptadas com o tempo, visto que a banda cada vez mais foi incluindo umas pitadas atmosféricas, soturnas e até groovy no seu som (calcule o que é isso no Thrash), sem se transformar completamente, a exemplo do que algumas bandas fizeram na década de 90.

“Ironbound”, lançado em janeiro deste ano, é o décimo quinto trabalho dos caras e continua a trazer aquele Thrash vigoroso, rápido, pesado e até mesmo simples e um tanto quanto descompromissado. Apesar de não ser um sucesso comercial, o trabalho vem sendo elogiadíssimo mundo a fora, principalmente com relação a performance vocal de Blitz, muito bem encaixado na produção. Só para citar, a arte gráfica do álbum é uma das melhores EVER, deixando no chinelo o que outros medalhões do Thrash tem feito atualmente (né não, Metallica e Megadeth?), representando o mascote Chaly (a caveira com asas de morcego… peraí… alguém aí conhece Avenged Sevenfold?) como um emblema de ferro, bem diferente dos desenhos de lápis que ilustravam as primeiras capas na década de 80.

O álbum abre com a quase épica (calcule) e soturna “The Green And Black”, de cara uma séria candidata a figurar entre os maiores clássicos ever da banda. Cadenciada, pesada, o baixo lá nas alturas e, porque não, bem melódica, até mesmo para os padrões do Thrash estados unidense, de forma que as suas diversas mudanças de andamento soem naturais e até mesmo evolutivas no contexto. “Ironbound” dá continuidade ao bang, com seu riff quase pegajoso e a voz quase Brian Johnson de Blitz. Aliás, ponto positivíssimo para a produção, tão cristalino estão os instrumentos, bem como os volumes equilibrados, perceptível principalmente na veloz “Bring Me The Night” com o seu clima oitentista e o refrão quase NWOBHM.

A soturna “The Goal Is Your Soul” se enquadra como mais uma das cadenciadas e longas faixas do álbum (vê se aprende como se faz, Metallica), com várias mudanças de andamento que permeiam entre o Heavy Metal clássico britânico e o Thrash Bay Area, enquanto “Give A Little” soa um tanto quanto Hard Rock, mesclado com Punk e uma dose extra cavalar de testosterona, a exemplo de “Endless War” e o seu Thrash Metal vigoroso. A introdução One/Fade to Black de “The Head And Heart” dá sequencia a música mais…. Pula-pula do album, com riffs que lembram “Symphony Of Destruction” em alguns momentos. “In Vain” é mais uma das músicas com certa veia Punk aliada ao Thrash, porém, fica novamente aquela sensação de “peraí, já ouvi isso antes!”, principalmente no refrão. Não tem como saber se é uma referência a outros clássicos, mas que parece, parece, da mesma forma que “Killing For A Living” acaba soando como mais uma música em meio as outras. Não que ela não tenha qualidade, mas falta uma marca própria maior. O álbum fecha então com “The SRC” e a sua intro quase Power Metal, dando abertura a uma das mais rápidas e oitentistas músicas do álbum, que ainda soa atual ao mesmo tempo. É prá me fazer morder a minha própria língua.

Uma das mais subestimadas bandas e que sempre ficou à sombra de outras bandas maiores, o Overkill é uma das poucas que consegue se manter fiel ao estilo e à atitude que a sua música exige. “Ironbound” é um dos fortes candidatos a melhor álbum do ano e facilmente coloca os americanos no panteão de uma das melhores bandas de Thrash na ativa.

01. The Green And Black
02. Ironbound
03. Bring Me The Night
04. The Goal Is Your Soal
05. Give A Little
06. Endless War
07. The Head And Heart
08. In Vain
09. Killing For A Living
10. The SRC

Nota 8

Bons sonhos.

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