A exemplo do que o próprio Angra viveu no conturbado período pós-Fireworks, quando André Matos, Luís Mariutti e Ricardo Confessori deixaram a banda para formar a nova banda, o próprio Shaman passou por isso em meados de 2006, quando a mesma quase chegou ao fim. Porém, com a entrada de Thiago Bianchi (vocais), Léo Mancini (guitarra) e Fernando Quesada, Confessori conseguiu reerguer a banda e lançou o controverso “Immortal”, em 2007, que se não era uma obra-prima (convenhamos, era bem fraquinho), mostrou que a banda ainda estava viva e tentando gradativamente voltar às suas próprias raízes, com a volta das batucadas e ritmos tribais, bem como a própria capa sendo uma referência ao debut “Ritual”, de um distante 2002.

Em 2010 então, Ricardo Confessori anuncia a sua volta ao Angra, e ao mesmo tempo deixa claro que o Shaman não encerraria suas atividades, e muito pelo contrário, estaria lançando um álbum novo muito em breve. “Origins” é o primeiro disco conceitual da banda e conta a história de um garoto chamado Amagat, de uma tribo da gélida Sibéria. O personagem foge da sua tribo na época em que deveria se tornar um homem (todos aqueles rituais de iniciação indígenas) e durante esta jornada, ele vive 10 experiências que o levam à iluminação, tornando-o líder espiritual de sua tribo. Enfim, a história é bem interessante, e quem quiser conferir, basta entrar no myspace oficial da banda, onde tem a história completa pra ler, e os 10 passos em cada música. Enfim, vamos a elas:

“Origin (The Day I Died)” já começa com os sons tipicamente tribais, e serve como introdução para “Lethal Awakening”, uma música tipicamente….. Angra para se abrir um disco. Rápida, melódica, certeira e pegajosa. “Inferno Veil”, em seguida traz uma esquisitíssima distorção nos instrumentos, mas com um resultado bem legal, mais cadenciada, pesada e com toques sinfônicos, com um ótima performance de Thiago Bianchi (ok, ainda sentimos falta de André Matos as vezes, vai). “Ego” se divide em duas partes, a primeira é basicamente uma introdução, mezzo-balada, com vários instrumentos tribais, enquanto a segunda é veloz e melódica, algo que faltou um pouco no álbum anterior.

Em seguida, “Finally Home” começa com um jeitão de balada, mas no fim se revela uma música muito (MUITÍSSIMO) parecida com “Time Will Come”, do debut “Ritual”, da mesma forma que “Rising Up To Life” é a típica balada dos álbuns do Shaman: conduzida no piano e o vocal em um tom lááááááá no alto. A oitava música “No Mind” tem um toque meio modernoso e um clima meio modernoso, mostrando-se um dos destaques do álbum, assim como “Blind Messiah”, e suas mudanças de andamento, com o toque tribal aliado ao Heavy Metal que tanto se espera do Shaman. “S.S.D (Signed, Sealed And Delivered)” fecha a história do personagem Amagat, uma música acústica com uma ótima melodia e, tenho que dar o braço a torcer, fecha o álbum de forma magistral e até mesmo meio que teatral. O instrumental cristalino no final é gélido, e ao mesmo tempo muito bonito de se ouvir. Bom, o álbum mesmo se encerra com o cover de “Kurenai”, do lendário X-Japan e, mesmo cortando a introdução da original, o resultado ficou bem legal (Fernando Quesada executando as maluquices do baixo com perfeição!) e com certeza vai embalar muitos Anime Friends, Anime Fests e Anime Chucrutes por aí.

Enfim, “Origins” é um álbum infinitamente superior ao “Immortal”, mas ainda assim não chega ao clássico “Ritual”. Porém, é uma centelha de esperança de que os próximos álbuns consigam melhorar a cada lançamento. Por outro lado, infelizmente parece que eles se tornarão cada vez mais esparsos, já que Ricardo Confessori tem compromissos com o Angra. Em todo caso, espero realmente que mais trabalhos do Shaman venham em breve…

01. Origins (The Day I Died)
02. Lethal Awakening
03. Ego Part 1
04. Ego Part 2
05. Finally Home
06. Rising Up To Life
07. No Mind
08. Blind Messiah
09. S.S.D. (Signed, Sealed and Delivered)
10. Kurenai (X-Japan Cover)

Nota 9

Bons sonhos.

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