Vegard Sverre Tveitan, ou, mais conhecido pela alcunha de Ihsahn, é uma das figuras mais famosas do cenário Black Metal, por ter liderado a banda Emperor por 10 anos, até 2001, quando ela encerrou suas atividades. Com isso então, Ihsahn pode focar apenas na sua carreira solo, que já conta com 3 álbuns: “The Adversary”, de 2006 e o já clássico “angL”, de 2008, além de “After”.

Gravado no Toproom Studios e no Symphonique Studio durante 2009, “After” encerra a trilogia de álbuns junto com os outros dois já mencionados, e contando com a mesma formação que gravou o (para muitos) perfeito “angL”: Lars Norberg no baixo fretless e Asgeir Mickelson na bateria, mas contando com a adicional e importantíssima participação de Jorgen Munkeby no…. SAXOFONE! Sim, isso mesmo. E a participação dele não é daquelas meia-bocas não. Produzido, mixado e masterizado pela bunda com a ajuda de Borge Finstad e Jens Bogren, o álbum dá continuidade de Ihsahn pelos caminhos mais obscuros e experimentais no Black Metal (não chega a um Arcturus, mãs…), liberando um álbum que consegue não se prender a nenhum rótulo, com músicas complexas, heterogêneas e vários elementos atípicos.

“The Barren Lands” abre o disco com um esquisitíssimo riff que parece tocado descordenamente, mas se revela uma música cadenciada e com um toque Gothic, onde a parte de vocal limpo lembra de longe o Borknagar. “A Grave Inversed”, em seguida é uma típica brutalidade insana do Black Metal, com blastbeats e vocais vociferando blasfêmias, mas com diversas passagens onde o sax assume a frente, criando licks e até mesmo solando. O resultado fica em algum lugar entre criativo, peculiar e extremamente perturbador, caótico ao extremo, praticamente o oposto da cadenciada faixa título, que tem lá o seu toque Paradise Lost, bem arrastada e cadenciada, com o ótimo vocal limpo de Ihsahn. A próxima, “Frozen Lakes On Mars”, não fosse o vocal gutural, poderia muito bem ter saído de uma banda de Thrash que flerte levemente com o Power Metal, tão pesada e melódica que ela é, graças aos riffs da guitarra de 8 cordas, utilizada pela primeira vez na história pelo músico norueguês, um contraste absurdo com a belíssima mezzo-balada progressiva “Undercurrent” e o seu bizarro solo de saxofone no final. Dando continuidade, “Austere” é outra belíssima música, com passagens mais atmosféricas e viajantes, inseridas à raiz Prog Black (e um ótimo solo de baixo), que dá passagem a épica “Heaven’s Black Sea” e o seu começo em marcha, uma música vigorosa e sem apelações. “On The Shores” encerra o álbum e é uma das mais interessantes composições: o seu começo cadenciado, com a guitarra dobrada pelo saxofone, que acaba sendo o personagem principal de uma música extremamente melancólica, tocando notas aparentemente a esmo, como se fruto de uma mente perturbada (essa música deixa qualquer vídeo macabro do Mickey no chinelo).  Lá pelos 4 minutos, a música dá uma virada brusca em direção ao lado Metal da coisa até voltar ao clima atmosférico do início. O trecho instrumental sombrio, até o fim com um saxofone solitário e morrendo passam uma sensação horrível, ao mesmo tempo que não se consegue desligar a música. Só ouvindo mesmo para entender.

Ihsahn conseguiu lançar um álbum estranho, em certos aspectos, ao mesmo tempo que irá agradar tanto os fãs do Emperor que tem a mente um pouco mais aberta, como mostra de forma ampla o seu trabalho na carreira solo. O som do saxofone foi uma grande sacada, mas soa tão fundo na alma que pode desestabilizar de certa forma quem ouve. É soturno, melancólico e hipnótico ao mesmo tempo, assim como o trabalho artístico do álbum. Definitivamente, não é algo a se ouvir no escuro… Como eu fiz agora… erro fod*…

01. The Barren Lands
02. A Grave Inversed
03. After
04. Frozen Lakes On Mars
05. Undercurrent
06. Austere
07. Heaven’s Black Sea
08. On The Shores

Nota 7

Bons sonhos… ou não…

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