Uma das mais criativas e obscuras bandas dos anos 70, o Hawkwind é conhecido por ser o alicerce do estilo que viria a ser caracterizado como Space Rock, agregando muitos efeitos e psicodelia ao Rock Progressivo em alta na Inglaterra nesse período. O experimentalismo e a incerteza contida em sua música fazem deles uma espécie de elo perdido entre os hippies maluquetes e o surgimento da cultura Punk, além de com certeza ter influenciado em muito tanto o embrião do Heavy metal e até mesmo do Hardcore. Na vasta discografia da banda, foram explorados diversos e diversos estilos, mas sempre mantendo o pé na atmosfera espacial e as letras baseadas em temas urbanos e de ficção científica.

“Blood Of The Earth” é o 23º (isso mesmo, VIGÉSIMO-TERCEIRO) álbum de estúdio da banda (sem contar os inúmeros projetos paralelos) e foi produzido pela própria banda entre 2009 e 2010. Infelizmente, pelo que eu pude perceber, o álbum foi lançado restritamente na Inglaterra e apesar de o (tosquíssimo) site oferecer o álbum para venda, encontrá-lo e poder comprá-lo é um sacrifício árduo. Além de Dave Brock (a alma e pilar de composição da banda, único membro em todas as formações), na gravação deste álbum estiveram presentes o baixista Mr Dibs, Tim Blake (teclados), Nial Hone (guitarra/baixo) e Richard Chadwick (bateria).

A semi-instrumental (sim, as partes vocais basicamente se resumem a uns 4 versos lá pelos 2 minutos de música, e vários “ah-ah-ah”) “Seahawks” abre o disco no melhor estilo Space Rock, uma viagem praticamente alucinógena, guiada pelas muitas camadas dos sintetizadores de Tim Blake e o baixo onipresente de Mr Dibs. A música vai crescendo até os seus 5 minutos, quando se transforma no que viria a ser a introdução para “Blood Of The Earth”, a faixa título, que mais parece uma recepção evil captada do espaço, graças ao som eletrônico de fundo, aliado a voz cheia de efeitos de Matthew Wright. “Wraight”, em seguida é a primeira música com um toque um pouco mais Rock’n’Roll, simples, direta, mas no estilo Hawkwind, com várias camadas de teclados e efeitos, destacando aí os diversos solos no seu decorrer. Em seguida, “Green Machine”, orientada novamente por diversas camadas de sintetizadores e teclados, é uma das mais interessantes instrumentais, principalmente pelo fato de ser simples e direta, atmosfericamente “sideral” na medida certa, causando uma ótima sensação de estar flutuando (whót?), emendando direto com “Inner Visions”, com suas nuances meio orientais e cantada por uma voz praticamente robótica. O mergulho no final dessa música, dá passagem para “Sweet Obsession”, que na realidade é uma regravação da música presente no álbum “Earthed To The Ground”, álbum solo de Dave Brock. Bem mais animada e até mesmo feliz (dançante até, porque não?), um Rock’n’Roll básico e com aquele toque vintage transbordando pelos lados.

“Comfy Chair”, por outro lado, é o mais próximo que poderíamos chamar de uma “balada”, vindo do Hawkwind: uma melodia triste sobre efeitos e mais efeitos, enquanto “Prometheus” parece ter uma sonoridade um pouco mais moderna, por assim dizer. Mas não adianta, o cheiro de clássico e de velharia é algo tão forte, que mesmo uma tentativa de soar atual, continua impregnado pela sensação de estar nos anos 70. Não que isso seja ruim, aliás, muito pelo contrário, no caso do Hawkwind (diferente de muitas bandas que tentam soar como aquela época hoje me dia e são um fail horroroso, certo, Wolfmother?), já que a música (e todo o álbum) é um dos destaques. “You’d Better Believe It” é outra regravação, desta vez do álbum “Hall Of The Mountain Grill”, de 1974, e tem um clima mais setentista ainda implícito, absorvendo aí a influência de várias bandas grandes da época. A décima música, “Sentinel”, essa sim foge um pouco dos padrões mais Space Rock e acaba soando como uma balada Prog muito legal, com direito a solos de guitarra invejáveis que abrem caminho em direção ao encerramento do álbum, com “Starshine”, totalmente atmosférica e instrumental, para servir de exemplo para muita banda de Post-rock por aí ;D.

Uma banda histórica, que nunca teve o reconhecimento que merece, e, por incrível que pareça, está na ativa por mais de 40 anos ininterruptamente e conta com uma das mais ricas e vastas discografias da história do Rock.

01. Seahawks
02. Blood Of The Earth
03. Wraith
04. Green Machine
05. Inner Visions
06. Sweet Obsessions
07. Comfy Chair
08. Prometheus
09. You’d Better Believe It
10. Sentinel
11. Starshine

Nota 8

Bons sonhos

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