Fruto dos experimentalismos de Øystein Garnes Brun, o Borknagar surgiu em meio ao movimento Black Metal norueguês da metade dos anos 90, reunindo em seu line-up algumas das mais importantes figuras, como Infernus e Grim, para o debut histórico auto-intitulado. Com o passar dos anos, e o lançamento dos posteriores “The Olden Domain” e “The Archaic Curse”, a formação foi sendo moldado com a entrada de ICS Vortex (que iria para o Dimmu Borgir mais tarde), o tecladista Lars Nedland, o baterista Asgeir Mickelson. Em 2000, Vintersorg entra para assumir os vocais, juntamente com Tyr, completando a lacuna deixada por Vortex, gravando os clássicos indubitáveis “Quintessence”, “Empiricism” e “Epic”, apresentando ao mundo a sonoridade única da banda, mesclando Black Metal com passagens Folk e Progressivas. Tal influência se mostrou mais clara ainda com o lançamento de “Origin”, em 2006, um álbum completamente acústico, mostrando ao extremo a faceta Prog da banda.

Em 2010, com um contrato com a emergente Indie Recordings, o Borknagar libera o seu oitavo álbum de estúdio “Universal”, marcando a volta do baixista Tyr (com seu incrível baixo de 8 cordas) e o segundo guitarrista Jens Ryland, além de David Kinkade substituindo Nicklasson. Produzido pela própria banda no Toproom Studios (um lugar tipicamente Borknagar), com o auxílio de Borge Finstad, o som é aquilo que esperava-se desde “Epic”, de um distante 2004: os vocais vomitados de Vintersorg, em contraste com a sua outra personalidade, cantando limpo e agudo. Músicas destruidoras de tímpanos que de repente viram baladas Folk. Yeah, that’s what we’re talking about. Tudo isso junto com as letras geniais, que permeiam entre a filosofia, a ciência e o paganismo.

“Havoc” abre o disco e foi o primeiro single liberado no myspace em janeiro deste ano e tem tudo prá ser mais um grande clássico (com direito a um solo de Hammond!) e um clima incrivelmente épico. Em seguida, “Reason” perceptivelmente tem o toque de Lars Nedland, com os teclados tomando a frente e os vocais dobrados gerando um efeito muito legal. A terceira faixa, “The Stir Of Seasons” traz aquela áurea e o sentimento de estar andando em algum lugar gélido na Noruega, bem Folk e ao mesmo tempo soturna, parecendo uma espécie de prelúdio para “For A Thousand Years To Come”, de longe a minha favorita do álbum, onde Vintersorg mostra porque é considerado um dos maiores vocalistas do Black Metal e Tyr faz um dos mais sensacionais solos de baixo, é de cair o queixo.

“Abrasion Tide”, em seguida, é a mais longa do álbum, com seus 7:14 de duração (se bem que outras 5 músicas ficam entre os 6 e 7 minutos…) traz mais um Black Metal típico (para os padrões Borknagar), enquanto “Fleshflower”, de autoria de Nedland é uma espécie de calmaria, conduzida basicamente pelo piano e pelo Hammond, lembra um pouco uma música de Power Metal, mas com uma carga EVIL a mais. “Worldwide”, outra que possivelmente irá figurar entre as preferidas de muita gente, tem uma influencia progressiva mais do que latente, onde a beleza do arranjo contrasta violentamente com o vocal gutural, um efeito muito bem pensado. A versão regular do álbum fecha com “My Domain”, cantada pelo velho companheiro ICS Vortex (o sujeito tem uma voz característica inacreditável) e vamos dizer que é a “balada” deste álbum, um clima épico muito acima do restante e termina da melhor forma possível.

Essa versão aqui é a chamada “Box Edition” e traz alguns atrativos a mais: a faixa “Coalition Of The Elements”, que sabe-se lá porque, ficou de fora do álbum, ela tem a mesma “intenção” que as outras músicas, no fim das contas (e dá-lhe mais Hammond), além da curta instrumental “Loci”, que parece mais uma brincadeira no estúdio, bem atmosférica, quase um Post-Rock From Hell, com direito a vários AaaAaAAaaa no final.

Lembrando que a turnê “Universe Course Tour” irá passar por São Paulo no dia 25 de setembro, em show único no país, por enquanto. Levando em conta que a banda dificilmente se apresenta ao vivo e que ICS Vortex estará com a banda, é uma grande chance de ver uma banda histórica que consegue mesclar toda a cacofonia da música extrema com a beleza e os cuidados do progressivo.

01. Havoc
02. Reason
03. The Stir Of Season
04. For A Thousand Years To Come
05. Abrasion Tide
06. Fleshflower
07. Worldwide
08. My Domain
09. Coalition Of The Elements
10. Loci

Nota 8

Bons sonhos

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