Um dos maiores ícones do Power Metal hoje, o Masterplan foi formado por Uli Kusch e Roland Grapow logo depois de os dois terem sido demitidos do Helloween. O line-up foi completado em 2002/2003 com a entrada de Jürgen Attig (baixo), Axel Mackonrott (teclado) e Jorn Lande, talvez um dos maiores vocalistas da música hoje (e já havia gravado com o Ark, Beyond Twilight e dezenas de outras bandas). Esse ano marcou o lançamento do debut auto intitulado, que pode ser considerado até hoje como um marco no Power Metal, reunindo um dos melhores line-ups já vistos em uma banda, que se prosseguiu até o lançamento de “Aeronautics”, em 2005.

Durante as composições para o terceiro álbum, porém, Jorn resolve abandonar o barco, alegando diferenças musicas (sim, o mesmo papinho), de forma amigável, inclusive cumprindo a agenda previamente definida pelo Masterplan. Para completar o estrago, em 2006, o fundador Uli Kusch também anuncia a sua saída da banda, com a desculpa de que os processos decisórios na banda estavam cada vez menos democráticos, de forma que o convívio estava insuportável… não é mesmo senhor Grapow?

Irônico ou não, três dias depois desse anúncio, é divulgada a nova formação da banda, com Mike DiMeo (Riot/The Lizards) e o multibandas Mike Terrana para ocuparem os postos vagos. Após uma turnê com o Saxon, a banda lança “MKII”, uma referência à divisão que bandas como o Deep Purple faziam, sempre que mudavam a formação. Em janeiro de 2009, porém, DiMeo anuncia a sua saída do Masterplan, para que alguns meses depois, Jorn Lande pudesse voltar para o posto do qual nunca deveria ter saído (quem não imaginava que ele fosse voltar era muito inocente…).

Lançado em 21 de Maio com o grande título de “Time To Be King”, o quarto álbum foi precedido de um EP “Far From The End Of The World”, cerca de um mês antes de seu lançamento, e ambos foram produzidos pelo próprio Roland Grapow, ao contrário dos três anteriores, que ficaram sob a tutela de Andy Sneap.

O álbum abre com a rápida e pesada “Fiddle Of Time”, uma faixa tipicamente Masterplan como os ouvintes esperavam, com os clássicos berros de “yeah!” que Jorn solta no decorrer da música, sendo seguida por “Blow Your Winds”, mostrando uma faceta um pouco mais Hard Rock mesclado a uns efeitos eletrônicos, com um resultado interessantíssimo. “Far From The End World”, previamente lançada é uma música com cara de single, um pouco mais cadenciada mas calcada ainda no Power Metal (“beyoooond Venus… behiiind Jupiter…”, duvido não ficarem com essa parte grudada na cabeça), tendência que se segue na faixa-título, onde o verso funciona bem melhor que o refrão em si. A quinta música “Lonely Winds Of War” tem o clima mais épico, com uma letra até meio triste e é a pseudo-balada do álbum, enquanto “The Dark Road”, apesar do nome, de sinistra não tem nada, pois acaba se revelando uma mela-cuequice sem tamanho (grande música, apesar de tudo!), ao contrário da mais complexa e pegajosa “The Sun Is In Your Hands”, onde Jorn demonstra mais uma vez porque é um dos grandes vocalistas hoje. “The Black One” é aquele típico momento na maioria dos álbuns do estilo que a audição se torna um tanto cansativa, mas graças a “Blue Europa”, com o seu clima épico e a lá Sabaton são um dos pontos mais pesados do álbum. Na versão regular, “Under The Moon” tem diversas mudanças de andamento e segue arrastada e cadenciada, com um dos melhores solos de guitarra já feitos por Grapow, principalmente pelo feeling, invés da velocidade extrema.

Nessa versão em digipack, temos a bônus “Kisses From You”, um rock levado no teclado que parece saído diretamente de algum álbum do Queen e é uma das mais legais, apesar de bobinha, de toda a carreira do Masterplan. A versão japonesa vem com a bônus “Never Walk Alone”, uma bizarra contradição com a música “I Walk Alone”, do último cd solo de Jorn Lande (que na verdade é cover da Tarja Turunen). Eu não ouvi essa música ainda, mas fica a título de curiosidade.

Em resumo, “Time To Be King” demonstra o quanto o Masterplan está entrosado e como a voz de Jorn Lande é importantíssima para a sua música, criando um álbum dinâmico que consegue ao mesmo tempo, fincar os pés nas próprias raízes e ainda assim explorar novos caminhos. Só esperamos que essa formação continue estável nos próximos anos,

01) Fiddle Of Time
02) Blow Your Winds
03) Far From The End Of The World
04) Time To Be King
05) Lonely Winds Of War
06) The Dark Road
07) The Sun Is In Your Hands
08) The Black One
09) Blue Europa
10) Under The Moon
11) Kisses From You

Nota: 9

Bons sonhos.

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