Mr John Nicholas Oliva já é uma das figuras mais cults e ilustres de toda a história do Heavy Metal. Apesar de todos os seus projetos nunca terem obtido um estrondoso sucesso mainstream nem realmente uma venda significativa, seja com o lendário Savatage, o Doctor Butcher e, mais recente, com o Jon Oliva’s Pain. Ao longo destes 25 anos de carreira (mais até, se considerarmos a época como Avatar), Jon Oliva fundou o Savatage, elevando-a à uma das mais cultuadas e criativas bandas, com uma sonoridade incrivelmente única, permeando em toda a sua carreira através do Hard Rock, Heavy Metal, Prog Rock e até mesmo umas pitadas de Southern, tendo em seu line-up alguns dos maiores músicos, como Chris Caffery, Al Pitrelli, Zakk Stevens (hoje no Circle II Circle), além, obviamente, de Paul O’Neil (a mente por trás do conceito da banda) e Criss Oliva, cujo falecimento acabou influenciando a vida de Jon até os dias de hoje.

Com a cessão das atividades do Sava (pelo menos por enquanto, espero), Jon Oliva se envolveu em projetos como o multi-milionário Trans-Siberian Orchestra e a sua carreira solo “Jon Oliva’s Pain”. Como ele mesmo alega, a sua banda hoje dá, no máximo, tanto quanto ou até menos lucro do que o Savatage, ou seja, quase prejuízo, o que prova o fato de que Jon Oliva só insiste na idéia pela grande paixão pelo trabalho e pela música, e de alguma forma, para manter a memória de seu irmão viva.

Recrutando ex-membros do Circle II Circle (na verdade, para evitar problemas judiciais ao seu amigo Zakk Stevens), em 2004 é lançado “Tage Mahal”, via SPV Records, um álbum com total cara de Jon Oliva e Savatage, principalmente se comparado com “Streets” ou “Poets & Madmen”, um Heavy Metal trincado, várias passagens progressivas, com boas doses de The Who, Queen e Alice Cooper, em uma das melhores performances vocais ever do sujeito. A sonoridade vem sendo desenvolvida com os anos e os lançamentos de “Maniacal Rendings”, de 2006 (que continha músicas baseadas em canções nunca finalizadas por Criss Oliva) e “Global Warning”, em 2008, cada vez mais Rock e Prog.

“Festival”, o quarto álbum da banda foi lançado em 19 de fevereiro via AFM Records e talvez seja o mais soturno trabalho até agora.

“Lies” abre o álbum com uma ótima introdução, com a cara do Savatage, caindo logo depois em um Heavy Metal bem próximo da época “Gutter Ballet”, cadenciado e até mesmo um tanto quanto teatral. Em seguida, “Death Rides A Black Horse” é bem diferente em relação ao que Jon Oliva costuma fazer, mais soturna, com o teclado tomando a frente, lembra os momentos mais sombrios de “Poets & Madmen”, principalmente nas partes mais progressivas (sintetizadores ali?), como podemos ver na própria faixa-título, “Festival”, que apesar do clima meio alegre, parece trilha sonora para algum daqueles filmes B de terror em algum parque com palhaços assassinos malucos. “Afterglow” é a pseudo-balada do álbum, no seu tempo trincado e Jon Oliva aproveitando o dinamismo de sua voz nas diversas mudanças de andamento e nas clássicas nuances operísticas ali, que embalam em “Living On The Edge”, aquelas faixas que todo álbum em sua carreira tinha, com temas mais “malandros”, rápidas e flertando com o Hard Rock.

A próxima balada do álbum “Looking For Nothing” só poderia ter surgido das excentricidades dele, lembrando em muito aquelas músicas perdidas no meio de álbuns conceituais, porém com um resultado muito legal, servindo quase como um prelúdio para a agressiva “The Evil Within”, com um dos melhores refrões do álbum (ah, bons tempos de Sava…). Vale citar que eles têm explorado mais sonoridades no decorrer do álbum, que muitas vezes parecem não se encaixar, mas visto como um todo tem uma funcionalidade interessantíssima (tipo um interlúdio acústico no meio da música mais pesada). “Winter Haven” é a mais longa faixa do álbum com seus quase oito minutos de duração, e tem um clima até mesmo meio gélido e triste, mas é uma das mais legais do Jon Oliva’s Pain, principalmente pelo fato de evoluir gradativamente, terminando com um sentimento bem diferente de como começa. Encerrando o álbum, “I Fear You” mantém a sonoridade sombria e cadenciada e “Now” é uma típica balada, um clima bem triste, mas bem legal. Continuo não encarando com bons olhos fechar o álbum com uma balada, mas tudo bem, ela é bonitinha e isso é o que vale.

E assim Jon Oliva dá continuidade aos quase 30 anos de carreira, mais um marco positivo em sua carreira quase sem nenhum ponto baixo (ok, o “Fight For The Rock”, talvez), e constantemente se reciclando, talvez aí o segredo de ele estar na ativa todo esse tempo.

01) Lies
02) Death Rides A Black Horse
03) Festival
04) Afterglow
05) Living On The Edge
06) Looking For Nothing
07) The Evil Within
08) Winter Heaven
09) I Fear You
10) Now

Nota: 8

Bons sonhos.

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