Surgido das cinzas do lendário Sanctuary, o Nevermore foi formado pelo vocalista Warrel Dane e pelo baixista Jim Sheppard, que estavam descontentes com a pressão por parte da gravadora para que a sua antiga banda moldasse o seu som mais voltado ao Grunge, estilo em voga na época, ainda mais que eles eram da chuvosa Seattle, onde bandas como Pearl Jam e Nirvana eram os queridinhos da época. No final de 1994 então, o line-up do Nevermore, que se mantém até os dias de hoje (algo inacreditável), é completado com Jeff Loomis e Van Williams, assumindo a guitarra e a bateria, respectivamente, conseguindo um contrato com a Century Media no ano de 1995, ano do lançamento de seu debut auto-intitulado. O impacto do som da banda foi tão grande que, proclamado pela crítica e público, o Nevermore saiu em turnê com Blind Guardian e Death no mesmo ano, apresentando ao mundo o seu Metal (não podemos incluir apenas um sub-gênero) com nuances que iam do Thrash ao Power, passando pelo Gothic e Prog, um som único criado com base na técnica absurda de seus instrumentistas e a voz inconfundível de Dane.

O desenvolvimento da banda desde então vem seguindo caminhos impressionantes, explorando a fundo a própria identidade que criaram, cada vez mais soturnos, como em “Politics of Ecstasy” e “Dreaming Neon Black” (com uma história tristemente brutal), o ápice criativo alcançado desde “Dead Heart In A Dead World” (talvez o álbum com mais clássicos) e os subseqüentes “Enemies Of Reality” e “This Godless Endeavour” elevaram o Nevermore ao status que tem hoje, como uma das mais singulares bandas surgidas no mid-90’s.

“The Obsidian Conspiracy” era um dos álbuns mais aguardados desse ano e, é o sétimo da carreira dos americanos, sendo produzido por Peter Wichers (Soilwork, também produziu o álbum solo de Warrel Dane e do projeto “Out of the Dark”, da Nuclear Blast) e mixado/masterizado novamente por ninguém menos do que Andy Sneap, a sonoridade polida e extremamente bem encaixada é algo que não precisaria nem ser citado, já que a participação destes dois nomes acima já é sinônimo disso. Da mesma forma que a arte do álbum, assinada por Travis Smith, encaixada no conceito, belíssima e soturna como sempre.

Mantendo a tendência, a totalmente Thrasher “The Termination Proclamation” abre o álbum de forma rápida e pesada, direcionado pelos riffs certeiros de Jeff Loomis (um certo toque de MeloDeath aí?), completamente emendada com “Your Poison Throne”, um pouco mais cadenciada e mais soturna (os “Rise!” são pegajosíssimos). “Moonrise (Through Mirrors Of Death)” tem uma das letras mais legais e figura entre as melodias mais interessantes do álbum, flertando novamente com o Death Metal aliado ao Thrash, enquanto “And The Maiden Spoke” é outra tipicamente Nevermore, com um trabalho excepcional de Van Williams e Warrel Dane literalmente recitando certos trechos e um refrão tipicamente da fase “Enemies Of Reality”. A quinta música “Emptiness Unobstructed” parece saída diretamente do clássico “Dead Heart In A Dead World” e com o seu ritmo mezzo-arrastado é uma singularidade no álbum (e a minha favorita, principalmente por causa da letra), seguida por “The Blue Marble And The New Soul”, a primeira balada do álbum, que traz todas as características já típicas das músicas desse estilo comporta pela banda, um clima carregadaço, soturno e até mesmo triste, conduzido por melodias vocais complexas, mas que fluem incrivelmente.

“Without Morals” é outra música com cara de single com um refrão até meio que…. feliz (?), o oposto de “The Day You Built The Wall”, bem complexa, com diversas mudanças de andamento e um andamento mid-tempo, e funciona quase que como um prelúdio para “She Comes In Colors”, uma balada que se inicia nos moldes de “Insignificant” e evolui gradativamente para uma das mais sombrias músicas do Nevermore, relembrando uns toques do “Dreaming Neon Black”. Vale citar que com seus 5:31 de duração é a música mais longa do álbum e, talvez essa opção de optar por músicas mais diretas e curtas foi um acerto muito bem pensado, já que o fluxo na audição não é prejudicado em nenhum momento. A faixa-título “The Obsidian Conspiracy” talvez seja não apenas a mais extrema do álbum, como de toda a carreira do Nevermore, com seus riffs absolutamente Melodic Death Metal (alguém aí percebeu a semelhança com Arch Enemy?) e fecha o trabalho de forma admirável. Nessa versão limitada aqui, temos ainda duas bônus tracks: “Crystal Ships” e “Transmission”, covers do The Doors e The Tea Party, respectivamente. A primeira ganhou um arranjo completamente eletrônico e pesado (umas nuances de Rammstein ótimas!) com Warrel Dane cantando daquele seu jeito característico, enquanto a última continuou no seu aspecto de baladinha mezzo-progressiva dos canadenses do The Tea Party e é interessante apenas pelo registro.

O Nevermore é uma banda única. O conjunto da obra, toda a sua discografia e como 4 indivíduos vem crescendo musicalmente ao longo desses anos é comparável (em suas devidas proporções) a bandas como Led Zeppelin ou Queen, o que com certeza justifique a devoção Cult que eles recebem. Chega a ser difícil imaginar como ela se desenvolverá nos próximos anos, mas com certeza já tem seu lugar garantido entre as mais criativas e singulares bandas da história.

01. The Termination Proclamation
02. Your Poison Throne
03. Moonrise (Through Mirrors Of Death)
04. And The Maiden Spoke
05. Emptiness Unobstructed
06. The Blue Marble And The Soul
07. Without Morals
08. The Day You Built The Wall
09. She Comes In Colours
10. The Obsidian Conspiracy
11. Crystal Ship (The Doors Cover)
12. Transmission (The Tea Party Cover)

Nota: 10

Bons sonhos, crianças

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