Surgida em Stockholm, Suécia, no ano de 1990, o Opeth talvez seja uma das bandas mais cults do cenário Metal hoje. A sua fusão entre Death Metal, Doom Metal e as sonoridades mais softs do Rock Progressivo fez dela uma das mais criativas e impactantes bandas de toda a história, conduzida pela genialidade de Mikael Akerfeldt, único membro original remanescente. A evolução sonora e conceitual da banda é algo tão obscuro, complexo e bem construído que chega a ser impressionante o crescimento nesse meio tempo, e a capacidade de reproduzir visualmente o seu trabalho também é digno de nota.

1995 – Orchid

Foram tantos os problemas no início da banda, que o debut veio a ser lançado apenas 5 anos depois. “Orchid” ainda era extremamente calcado no Death Metal, com algumas incursões sombrias do Doom Metal e até mesmo Black Metal, porém, por mais complexo que a sonoridade fosse, parecia que ainda faltava um pouco mais de maturidade, tanto na produção quanto na construção estrutural das músicas, que chegavam a 14 minutos (no entanto, foi um sucesso de crítica como a muito não se via). A ilustração do álbum, óbvia foto de uma orquídea, mostrava um certo contraste com o fundo negro e a cor rosa da flor, algo bem esquisito se comparado aos trabalhos de música extrema não só da época, mas até hoje. Lembrando que em algumas edições, o icônico logo da banda já estava ali, com o nome da banda escrito de forma estilizada mezzo-gótica.

1996 – Morningrise

O segundo álbum da banda, foi um choque inacreditável para qualquer um. Com alguns dos clássicos da banda, “Morningrise” não continha nenhuma banda com menos de 10 minutos e, inclusive, a maior música já escrita estava ali: “Black Rose Immortal”, com seus mais de 20 minutos. O direcionamento ainda mais soturno, com vozes limpas e um clima carregado, são representados de uma bela forma na capa, com a foto da ponte Palladian, localizada no Prior Park, na cidade de Bath, em Londres. A forma que a imagem foi capturada, com o reflexo bem definido, demonstram um sentimento tão triste que chegam a dar uma leve pontada de medo, do vazio expresso.

1998 – My Arms, Your Hearse

Intitulado com base na música “Drip, drip” (????) da banda Comus, o terceiro álbum representou uma certa mudança no estilo do som, ainda mais pesado e mais voltado para o Death Metal um pouco mais direto, o que pode ser conferido na própria capa do álbum. É o primeiro álbum conceitual da banda e conta a história de um homem que morreu, mas não conseguia aceitar o fato de a sua mulher continuar vivendo e com outra pessoa (Ghost?), influenciando-a a ficar cada vez mais triste. Lembrando que o álbum contém um dos maiores clássicos que é “Demon Of The Fall”.

1999 – Still Life

Novamente conceitual, “Still Life” envolve assuntos ligados à religião, principalmente, o que talvez tenha causado a evolução latente nos vocais de Akerfeldt, ainda mais graves e profundos. A capa, desenhada pelo lendário Travis Smith traz a figura da própria Melinda (é o que eu consegui entender =]), com a cruz ao fundo, representando o conceito por trás do álbum, um clima meio gélido e até mesmo sangrento, tanto pela história quanto pela utilização de vermelho na ilustração.

2001 – Blackwater Park

Considerado por muitos como o trabalho definitivo do Opeth, trazia todos os elementos desenvolvidos com o passar dos anos, de forma extremamente equilibrada, e, até mesmo, dando mais espaço para as incursões progressivas-jazzísticas-acústicas, grande parte por influencia de Steven Wilson, que produziu o trabalho. “Blackwater Park” é uma referencia a banda alemã de mesmo nome e a ilustração consegue captar exatamente a atmosfera soturna e até meio… “outonal”, desenvolvido novamente por Travis Smith (que ilustrou todas as capas do Opeth até hoje).

2002/2003 – Deliverance/Damnation

A parte um do que deveria ser um álbum duplo, Deliverance é o álbum mais pesado da banda, enfatizando nas características mais Death Metal e extremas de sua música, e Damnation é praticamente acústico, calcado nas baladas de Rock Progressivo e um som mais atmosférico. Novamente conceitual, a imagem em preto e branco representa o lado negro de um quarto em Deliverance, enquanto Damnation exibe um outro ponto de vista, iluminado e claro (com algumas referências às letras? Pois sim).

2005 – Ghost Reveries

Tão pesado quanto “Deliverance”, conseguiu mesclar as passagens atmosféricas de “Damnation” em um trabalho só, como em Blackwater Park. Semi-conceitual (uma das músicas não faz parte do texto), conta a história de um homem que matou sua própria mãe, tema carregado e bem tenso, refletido na ilustração, com as velas queimando, algo quase que icônico.

2008 – Watershed

Tão soturno quanto os álbuns mais antigos, aliados a maturidade adquirida com o tempo, Watershed é até mesmo um pouco mais tranqüilo entre os álbuns recentes, ainda que mantenha as principais características. Mr Smith novamente faz um grande trabalho, desta vez mais simples, mas que trazem um sentimento de vazio e isolamento tão profundos que só o vulto de um homem sentado ali te dá calafrios. A edição especial deste álbum, em slipcase tratado, imita um envelope, e consegue ser tão assustador quanto à capa original.

Já vai completar 2 anos desde o lançamento de Watershed, então provavelmente um novo lançamento deva surgir nos próximos meses (“tomare”!), e assim que sair, atualizaremos o post. Infelizmente não consegui tantas curiosidades sobre estes álbuns, e vocês podem perceber que estou estreitando o que falo, mas isso tem um bom motivo que será revelado logo.

Sendo assim, mais curiosidades, informações complementares, correções, dúvidas e sugestões, leave a reply!

Obs.: Em breve atualizarei as imagens com links em alta resolução.

Bons sonhos, crianças

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