Lançado como um supergrupo no ano de 1981, o Asia é uma suposta banda de Progressive Rock formada por medalhões de bandas como Yes, King Crimson, Uriah Heep, ELP, Wishbone Ash, entre outros. Ok, mas porque “suposta”? Simples, apesar dos envolvidos no projeto, a sonoridade do Asia era muito mais AOR, Hard Rock e até mesmo POP em comparação ao que era praticado pelas suas bandas antigas, o que esmerilhou a expectativa de muitos fãs e até mesmo da crítica, ainda que a música fosse de ótima qualidade. De qualquer forma, o lançamento do debut da banda foi um verdadeiro frisson entre o público, tanto para os que já apreciavam o trabalho de seus membros, quanto os novos, adquiridos com os novos hits, mais simples e atualizados (na época), que rodavam exaustivamente nas rádios e MTV’s da vida, tornando-os um dos alicerces do que viria a ser o Arena Rock (shows grandiosos, cheio de efeitos, meio futurista, embalados pelos sons de teclado). Após algumas idas e vindas ao longo destes quase 30 anos de carreira, o Asia estabeleceu uma formação estável desde 2007, chegando a atualidade resgatando muito da sua sonoridade antiga e, mesmo que não tenha a popularidade de outrora, mantém uma boa parcela de fãs ainda hoje.

“Omega”, lançado em 23 de abril deste ano, é o décimo segundo trabalho da banda e, se não apresenta nenhuma mudança drástica em sua sonoridade, mantém a grande qualidade na sua música, afinal de contas, é a formação original que está ali, com John Wetton, Carl Palmer, Steve Howe e Geoff Downes, e depois de todos esses anos, questionar as habilidades musicais desses sujeitos é perda de tempo. Produzido por Mike Paxman, as músicas continuam a ter aquele vigor até meio que inocente dos anos 80, com melodias felizes, refrões pegajosos e um clima bem positivo, a ser cantado em plenos pulmões nos shows. Mantendo a marca registrada, a arte gráfica foi desenhada pelo lendário Roger Dean, um dos maiores autores do Prog e mesmo ela tem um aura daquela época que chega a impressionar.

“Finger on the Trigger” foi o primeiro single deste álbum e abre o disco com um cheiro tão anos 80 que chega a ser estonteante. As melodias vocais, as linhas de teclado, o timbre da guitarra e principalmente os backing vocals são MUITO nostálgicos que chega a dar a impressão de estar em um daqueles shows cheios de gelo seco, pessoas com roupas apertadas e efeitos de luzes. Em seguida, “Through My Veins” mantém o ar oitentista, mas em um outro lado, já que, com um certo toque… Julio Iglesias (?), lembra meio que aquelas músicas que tocavam nas boates antigas, cheias de neón ou cidades a noite. A terceira, “Holy War” tem um que de Rock Britânico atual, mas quase imperceptível, ao passo que “Ever Yours” talvez seja o mais próximo de Rock Progressivo que possamos encontrar no álbum, uma balada com uma ótima melodia conduzida nos arranjos de teclado. “Listen, Children” é uma das mais legais e com um dos refrões mais pegajosos (bem animadinha) que soa até meio que atual, o oposto de “End Of The World”, totalmente vintage, chega a lembrar o Europe em alguns momentos, tendência que se segue no início de “Light The Way”, que ironicamente, é a menos “iluminada” do álbum, não tem nada de ruim, mas não chega a empolgar, sendo um dos pontos baixos da audição do álbum.

“Emily” é a bônus track dessa versão em digipack e se mostra uma das baladinhas mais legais do álbum, bem mela-cueca, com letras repetitivas e batidas, mas é tão anos 80 que a gente nem liga. “I’m Still The Same”, a nona música parece ter uns toques da banda Weezer (a melodia é muito familiar), mas como se tivesse sido composta uns 40 anos antes, com mudanças de andamento bem encaixadas, assim como “There Was A Time”, com sua levada meio Folk/Medieval, outra faceta bem interessante. “I Believe, outro single do álbum e, por mais bizarro que seja, eles já tem outra música com o mesmo nome (???), mas com certas mudanças no instrumental e na letra e, talvez por isso, tenha esse sentimento tão anos 80. O álbum encerra com “Don’t Wanna Lose You Now” e, é apenas uma opinião pessoal, mas fechar com uma balada é algo meio decepcionante, ainda mais se faltar um punch na música, e esta é exatamente assim, quase um balde de água fria no resto do trabalho.

Talvez o Asia não seja essencialmente Progressivo no seu som e soe até mesmo Pop na maioria das músicas, algo até mesmo natural se considerarmos a época que ele surgiu e os trabalhos que as bandas vinham lançando. Em todo caso, são uma banda importantíssima não apenas na história do Prog, mas do próprio Rock e merecem o devido tratamento, principalmente porque eles continuam na ativa depois desses 30 anos de carreira, fazendo turnê e lançando álbuns.

01. Finger On The Trigger
02. Through My Veins
03. Holy War
04. Ever Yours
05. Listen Children
06. End Of The World
07. Light The Way
08. Emily
09. Still The Same
10. There Was A Time
11. I Believe
12.  Don’t Wanna Lose You Know

Nota 8

Bons sonhos, crianças.

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