Nascido em 10 de Julho de 1942, Ronald James Padavona tornou-se um dos maiores (se não o maior) vocalista que o Heavy Metal já pode ouvir e apreciar em toda a história. Hoje, 16 de Maio de 2010, falece Ronnie James Dio, um ícone que marcou três gerações com a sua carismática atuação nas apresentações, baixinho, feio e dono de uma das vozes mais poderosas, foi o frontman de importantíssimas bandas que de alguma forma mudaram não apenas a história do Rock, mas da música em si. Este post é apenas uma simples, mas dedicada homenagem àquela que não é apenas o meu ou o seu ídolo, mas de qualquer um que é adepto ao Rock’n’Roll e todas as suas vertentes.

Antes do seu trabalho mais notável, a frente do Elf, Dio fez parte das bandas Ronnie & The Red Caps, Ronnie Dio & The Prophets, que passaram a adotar o nome de The Eletric Elves, então The Elves, para apenas depois chegar à banda que revelou o trabalho dele para o mundo.

Elf

O Elf era inicialmente por Dio e David Feinstein, juntamente com Mickey Lee Soule e Gary Driscoll, formação que integraria anos mais tarde o Rainbow. O icônico álbum de estréia, ainda bem calcado no Blues Rock foi produzido pelos lendários Ian Paice e Roger Glover e lançado em 1972. O estilo desse álbum se manteria nos próximos lançamentos “Carolina County Ball” (1974) e “Trying To Burn The Sun” (1975), quando a banda, convidados por Ritchie Blackmore para formar o lendário Rainbow.

Rainbow

Com Blackmore insatisfeito no Deep Purple, ele resolve montar a sua própria banda, que viria a se tornar uma das mais clássicas da história. O seu álbum de estréia, com várias músicas compostas pela dupla Blackmore-Dio tem alguns dos clássicos atemporais como “Man On The SIlver Mountain” e “The Temple Of The King”. O álbum seguinte, “Rising”, todo line-up foi reformado, sendo recrutados para a banda Tony Carey (teclados), Jimmy Bain (baixo, acompanharia Dio ao longo de toda a sua carreira a partir daí) e o grande Cozy Powell (bateria). O resultado disso são outros clássicos como “Tarot Woman” e extremamente complexa e viajante “Stargazer”, personagem principal dos shows e experimentalismos de Ritchie Blackmore (como pode ser visto nos álbuns ao vivo). Dois anos depois, “Long Live Rock’n’Roll” é lançado, outro álbum absoluto da história, contendo os clássicos “Kill The King”, “Rainbow Eyes” e a própria faixa-título, uma das favoritas de muita gente. Infelizmente, após esse trabalho, Dio não entrou em acordo sobre o direcionamento do próximo lançamento, que deveria ser mais comercial, e deixa o Rainbow em 1979. Bom, não foi uma infelicidade de tudo, afinal de contas, convidado por Tony Iommi, o baixinho entra em mais um dinossouro do Rock: O Black Sabbath

Black Sabbath

1980 talvez tenha sido um ano definitivo para o Heavy Metal. Além de várias bandas surgindo, o alicerce do estilo acabava de sair de uma crise, e lançava “Heaven And Hell”, um dos maiores e mais indiscutíveis clássicos do Rock, imortalizando músicas como… bom, todas: “Neon Knights”, “Children Of The Sea”, “Lady Evil”, “Heaven and Hell”, “Wishing Well”, “Die Young”, “Walk Away” e “Lonely Is The Word”. No ano seguinte, “Mob Rules” é lançado, com Vinnie Appice substituindo Bill Ward na bateria, um álbum ainda mais pesado que “Heaven and Hell” e com temas bem mais soturnos que os praticados da metade da década de 70 pro final, tendência que se manteria durante a fase Martin. Desse trabalho podemos destacar “The Sign Of The Southern Cross”, com seus épicos 7 minutos, a faixa-título e “Falling Off The Edge Of The World”, gerando o álbum ao vivo “Live Evil”, cujo resultado final e desentendimento entre os membros culminou na saída de Ronnie da banda para a formação da banda Dio, a sua carreira solo. Foi durante a sua passagem que os “chifrinhos” feitos com a mão se popularizaram entre os fãs e, segundo Dio, a sua vó fazia o gesto para espantar coisas ruins.

Dio

Revelando o seu gosto por temas fantasiosos, basicamente toda a carreira solo de Dio foi calcada em temas épicos, dragões, duendes, magos (óbvio, muitas músicas eram mais mundanas e até mesmo com temas genéricos), e seguiram uma tendência de qualidade invejável por muitas bandas, um Heavy Metal vigoroso, com certas influências do Hard Rock, orquestrada pela voz forte e singular do cantor, lançando ao mundo algumas das mais coverizadas músicas que se tem notícia, nos álbuns “Holy Diver”, de 1983, responsável por “Rainbow In The Dark” e “Don’t Talk To The Strangers”, além da faixa-título. “The Last In Line”, do ano seguinte, trazia em seu conteúdo “We Rock”, “Evil Eyes” e “Egypt (The Chains Are On)”, fruto da parceria de longa data com Jimmy Bain e Vinnie Appice, aliados ao guitarrista Vivian Campbell. Os álbuns “Sacred Heart”, “Dream Evil” e “Lock Up The Wolves” (detalhe que neste último ele reformulou todo o seu line-up, contando inclusive com o lendário tecladista do Stratovarius Jens Johansson) conseguiram repetir a fórmula de sucesso, levando Dio ao topo no começo da década de 90, quando ele foi convidado para voltar ao Black Sabbath, gravando o álbum “Dehumanizer”, talvez o trabalho mais pesado e denso não apenas de sua carreira, mas do próprio Black Sabbath. De volta a sua carreira solo, lançou os ótimos “Strange Highways” (1994), “Angry Machines” (1996), o conceitual “Magica” (2000), “Killing The Dragon” (2002) e “Master Of The Moon” (2004). Algo interessante a dizer sobre esses álbuns, é que eles conseguiram evoluir junto com o tempo, fazendo o Heavy Metal soar autentico e atual ao mesmo tempo, sem descambar para o comercial.

Tenacious D

Apenas um mini-apêndice, com certeza a grande maioria já assistiu o filme “Tenacious D: The Pick Of Destiny”, a comédia de Jack Black, onde Dio faz uma grande participação. Prá quem ainda não viu, fica a sugestão.

Heaven And Hell

Considerado por muitos o retorno do Black Sabbath (por mim, inclusive), o álbum “The Devil You Know” foi lançado em 2009, com a formação Dio, Iommi, Butler e Appice, um trabalho pesado, denso, soturno, como deve ser o Black Sabbath. Com uma extensa turnê, passando inclusive pelo Brasil, a banda já fazia planos para o futuro e um vindouro segundo álbum.

 

Infelizmente, cerca de um mês atrás, Dio revela ao mundo que foi diagnosticado com câncer de estomago, e alguns shows teriam de ser cancelados para que ele se tratasse e pudesse dar continuidade a carreira o mais rápido possível. Depois de um mês inteiro com informações desencontradas, hoje, 16 de Maio de 2010, às 7:45 da manhã, foi oficialmente confirmado o falecimento de Ronnie James Dio, com 67 anos. Um homem que se tornou a lenda graças ao seu talento, um incansável artista que nos brindou não apenas com algumas das maiores peças de arte musicais de toda a história, mas com momentos da nossa própria história. Com a sua morte, não é apenas como se perdêssemos um ídolo, mas uma parte de nós.

Descanse em paz, Dio. O seu legado jamais será esquecido.

“Long Live Rock’n’Roll”

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